Após sessão seguida de vaias

Diretor de Tender Son discute culpa na criação de monstros

Mariane Morisawa, enviada especial a Cannes |

Divulgação
Cena do filme Tender Son ¿ The Frankenstein Project
Transcorreu em clima de fim de festa a coletiva de imprensa de Tender Son – The Frankenstein Project , de Kornél Mundruczó, no início da tarde deste sábado 22. O filme, que está na competição do 63o Festival de Cannes, mostra um cineasta à procura de um ator. Quando pensa tê-lo encontrado, o rapaz comete um assassinato. Mais tarde, o diretor descobre que ele é seu filho, abandonado ainda bebê.

Indagado sobre a razão do subtítulo de seu filme, o diretor explicou que “ele resume o que pensamos sobre esse monstro, que na verdade é uma pessoa inocente. Ao mesmo tempo, queríamos manter a referência ao mito, a Frankenstein.

Desde o início, era o nome do projeto no meu computador”. Em seguida, ele elaborou melhor o assunto. “Os limites são sempre determinados por uma maioria numa sociedade. É interessante ter espelhos mostrando esses limites. Era uma questão que eu procurava em filmes anteriores. Aqui ficou muito claro”, disse. “E também ficou óbvio que eu tinha de interpretar o papel principal. Quem é o culpado nesse filme? No transcorrer da história, descobrimos que o criador é o pai, então quem é o culpado de verdade pelas mortes?”, completou.

Ele contou que normalmente prefere rodar na natureza, mas desta vez escolheu esse ambiente fechado. “A arquitetura tornou-se uma metáfora em si mesma. O prédio abandonado, com corredores internos, funciona como uma prisão, o mundo em que todos nós vivemos”, afirmou Mundruczó. Esse foi o evento final da competição antes da premiação, na noite de domingo (23).

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