Festival de Cannes: Almodóvar queria filmar "The Paperboy"

Longa traz história de homem que é condenado à morte pelo assassinato de um xerife

iG São Paulo com EFE e AFP |

O cineasta espanhol Pedro Almodóvar almejou levar para o cinema o livro "The Paperboy" , mas não conseguiu, afirmou o diretor norte-americano Lee Daniels ao exibir nesta quinta-feira (dia 24) o filme, que disputa a Palma de Ouro no Festival de Cannes 2012 .

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Ambientado no sul da Flórida, o filme de Daniels, com Nicole Kidman, Mathew McConaughey, Zac Effron e John Cusack, é uma adaptação do romance homônimo do escritor norte-americano Pete Dexter.

Questionado em Cannes se tinha conhecimento do interesse de Almodóvar em filmar o livro de Dexter - que narra a história de dois jornalistas que investigam o caso de Hillary van Wetter, um homem condenado por ter assassinado um xerife, e que espera no corredor da morte -, Daniels respondeu que sim.

"Sim, estava a par de que Almodóvar trabalhava na adaptação cinematográfica do livro", disse Daniels.
"Almodóvar escreveu um rascunho, muito interessante. Mas depois abandonou o projeto por alguma razão. Em Hollywood os filmes mudam facilmente de diretor ou de atores", completou Daniels, que foi indicado ao Oscar por "Preciosa".

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Nicole Kidman em "The Paperboy"
No livro de Dexter, publicado em 1995, o preso mantém uma correspondência com uma bela mulher, Charlotte Bless, interpretada no filme por uma sedutora Nicole Kidman, que contará com a ajuda de dois jornalistas para tentar obter a libertação do homem, que não conhece, interpretado por John Cusak.

A história atraiu o cineasta por conter "personagens únicos" que retratavam pessoas conhecidas pelo diretor na vida real. Seu irmão esteve na prisão por assassinato, sua irmã escrevia a presos, sua família foi empregada de ricos durante muito tempo e ele, homossexual, viveu os problemas por ser visto em público com homens brancos.

Sexualidade

A personagem de Nicole Kidman vive sua sexualidade de forma muito aberta para o ambiente opressivo da Flórida de 1969, entre a inocência e a perversão. A atriz disse que as cenas sexuais não a incomodaram. "Eu gosto de dar mais um passo e buscar algo mais arriscado em termos de interpretação", explicou Nicole, que apareceu na entrevista coletiva com um vestido vermelho que contrastava com sua palidez.

A atriz ainda falou que procura fazer com que seus personagens sejam verdadeiros. Para alcançar tal condição neste filme, ela disse ter conversado muito com Daniels e até mesmo ter, ela mesma, cortado seu cabelo, destaque no filme. Além disso, se reuniu com mulheres que escreviam a presos e, nesse momento, disse ter tido medo "não estar à altura do personagem".

A história contada no filme era uma realidade comum nos Estados Unidos dos anos 1960. "As pessoas acreditam que Obama chegou de repente. Mas uma coisa é a realidade que se vê no cinema e outra a que vivem os negros", disse o diretor.

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John Cusack em 'The Paperboy'
Brincadeira com Zac Efron

Entre declarações sérias, Daniels fazia brincadeiras e uma delas teve como alvo Efron. Quando o cineasta foi perguntado pela razão do ator aparecer em muitas cenas com roupa íntimas, ele disse: "Ele é muito bonito. Sou gay, o que querem?".

Diferentemente de seus papéis anteriores em filmes de adolescentes, Efron, de 24 anos, surpreendeu com uma interpretação muito madura. "Um ator tem de enfrentar seus medos e experimentar um sentimento de abandono em direção ao personagem que vá interpretar." O ator ainda falou sobre seus planos para o futuro. "O que fiz no passado é passado e agora pretendo atravessar novas fronteiras, é um sonho. Espero poder seguir fazendo filmes como este."

McConaughey, seu irmão no filme, é um homossexual que esconde o que sente. O ator exaltou o "espírito intuitivo" de Daniels, que "encontra camadas nos personagens". Enquanto isso, Cusack, que cria um personagem repulsivo, explicou que Daniels está constantemente mudando de opinião. "Se você o escuta, se arrisca a não entender o que quer dizer".

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No entanto, destacou que o diretor se contradiz "com paixão" para dar a cada personagem todas as características necessárias. "É um filme louco, sobre sexo, sobre racismo e discriminação. Um desses filmes que, visto pela quinta vez, ainda se descobre algo novo", explicou a cantora Macy Gray.

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