Festival de Cannes: Leos Carax faz ator passar por assassino e pai de família em 'Holy Motors'

Filme é o terceiro francês a concorrer à Palma de Ouro

AFP |

Leos Carax ressurge no comando de seu filme "Holy Motors", nesta quarta-feira (dia 23) no Festival de Cannes 2012 , atrás de seus óculos escuros e com seus 11 personagens encarnados por Denis Lavant, seu ator infalível.

Divulgação
Cena de 'Holy Motors'

Sonho ou pesadelo profundo de um homem moribundo, o terceiro filme francês na disputa pela Palma de Ouro faz o seu ator passear por diferentes peles, de grande chefe, assassino, mendigo, monstro e pai de família.

Divulgação
Edith Scob, Denis Lavant, Kylie Minogue e Léos Carax, de 'Holy Motors'
Nessa jornada noite adentro, conduzida por Celine (Edith Scob) a bordo de uma limusine branca que funciona como um camarim para se trocar, Oscar cruza com Eva Mendes, com a cantora pop australiana Kylie Minogue, com cães e macacos.

Siga o iG Cultura no Twitter

Adorado ou odiado, Carax será para sempre - o maior desespero de sua produtora, Martine Marignac - o homem de "Amants du Pont-Neuf", filme cult e fracasso comercial que o levou ao fundo do poço aos 30 anos.

Hoje, aos 51, mantém os fãs, os teimosos, que gritaram boas-vindas ao retorno do messias. E outros, desconfiados e preocupados em encontrar mais uma fraude. A audácia formal do filme é contrabalançada pelas andanças do cenário particular que leva o intérprete aos esgotos e para um cemitério, onde cada lápide tem como epitáfio: "Visite meu site".

"Em busca da beleza do movimento. Do motor da ação. Mulheres e fantasmas de sua vida", resume o comunicado à imprensa.

Leia também: Leos Carax quer provar suposta superioridade com "Holy Motors"

"Todos os personagens foram difíceis de encontrar, mas o que mais temíamos era o pai com sua filha e o velho morrendo... eu decidi confiar na história e no olho atrás da câmera", resumiu Denis Lavant. "Leio uma cena, acho que entendo, mas Léos me leva para outro lugar, para mais humanidade e para encontrar o meu personagem no momento em que me aproximo da dança, da linguagem corporal", revelou o ator, que segue Carax há 30 anos.

Divulgação
Denis Lavant em 'Holy Motors'

Leos Carax explica que teve o primeiro estalo para esta história ao cruzar todos os dias com uma velha mendiga, a quem ele nunca dirigiu a palavra, a primeira aparição de Oscar transformado: "Eu imaginei que poderia ser ela, minha alma foi levada por meu motorista para que me transformasse nela em um banheiro de um café".

Acesse o especial Festival de Cannes

O título, "Holy Motors", vem de sua paixão por motores, máquina que ganha voz ao final do filme, iniciando um diálogo entre as limusines. O cineasta não se importa em ser entendido ou ouvido: "Eu não sei o que é o público, pessoas que vão estar mortas em breve... eu faço filmes particulares", disse durante a coletiva de imprensa.

Leia também: "Na Estrada", de Walter Salles, é redondo, mas não chega a empolgar

Leos Carax, que diz que "aprendeu a fazer filmes por ir ao cinema" embalou o seu "Holy Motors" com referências para os fãs de cinema e também presta homenagem para as câmeras de antes, quando se dizia: "Luz, câmera, ação!"."Hoje em dia nós dizemos 'power', porque não há mais força nas câmeras. Mas é um falso poder".

    Leia tudo sobre: Festival de Cannescinema

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG