"Killing Them Softly", com Brad Pitt, choca por violência

Nova parceria do ator com o cineasta Andrew Dominik traça retrato contemporâneo dos EUA

Mariane Morisawa, enviada especial a Cannes |

“Os Infratores” perdeu o posto de filme mais violento da competição do Festival de Cannes 2012 . “Killing Them Softly” (“matando suavemente”, na tradução literal do inglês), terceiro longa do neozelandês Andrew Dominik, tomou seu lugar na manhã desta terça-feira (22).

O cineasta, que surpreendeu com outro estudo sobre a violência, numa época diferente, em “O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford”, discute a América de hoje, num ritmo mais dinâmico (e menos interessante) e bem-humorado, com ecos de Quentin Tarantino. Novamente demonstra habilidade na criação de imagens poderosas.

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Brad Pitt é Jackie Cogan, um matador de aluguel que aparece só lá pelos 20 minutos de filme. Frio, contrário aos sentimentos, chega para apagar dois ladrões inexperientes, Frankie (Scoot McNairy) e Russell (Ben Mendelsohn), contratados para roubar um cassino ilegal comandado por Markie (Ray Liotta). Eles achavam que a operação seria fácil.

Divulgação
Brad Pitt e Richard Jenkins em "Killing Them Softly"
Cogan, por sua vez, é contratado por um misterioso Motorista (Richard Jenkins), um tipo que veste terno, dirige um carro bacana e trabalha para a máfia, hoje gerida por um conselho administrativo. O filme claramente fala da degradação da sociedade americana e se passa exatamente na época da eleição de Barack Obama. Os bandidos jovens são um bando de incompetentes falastrões, sem futuro. Os antigos estão mergulhados na bebida – como Mickey (James Gandolfini), levado para fazer parte do trabalho com Cogan e incapaz de sair do hotel por três dias.

Até a máfia virou uma grande corporação. Os Estados Unidos não são um país, são um negócio, diz Cogan, num longa que começa melhor do que acaba. A cena inicial, que intercala imagens de Frankie num cenário apocalíptico e pedaços de discursos de Obama, é brilhante, mas a final se afunda na repetição e na literalidade. Não fosse isso, “Killing Them Softly” seria mais forte.

Durante a coletiva de imprensa, o diretor disse que seu objetivo era mesmo fazer um filme de gênero que falasse de assuntos sérios também. “Quando li o livro, que se passa nos anos 1970, vi que era uma história sobre uma crise econômica. Não dava para ignorar o paralelo”, disse. “Fora que, em filme de gângster, é tudo bem estar atrás do dinheiro. Acho que é o gênero americano mais honesto porque reflete a sociedade. Hollywood também só se preocupa com dinheiro.”

Brad Pitt, que também é produtor do filme, concordou. “Eu e minha sócia focamos em longas que podem enfrentar dificuldades para serem feitos. Mas também queremos histórias sobre nosso tempo e sobre quem somos. Você acha que está vendo um filme de gângster, mas esse microcosmo na verdade fala algo sobre o mundo.”

O ator negou que o filme tenha sido projetado para estrear em ano de eleições presidenciais nos Estados Unidos. “Eu estava em Chicago quando Obama ganhou. O discurso escolhido por Dominik não é um olhar sobre o que falhou, mas uma expressão de esperança, em termos marqueteiros, claro, sobre a solução da divisão da sociedade americana hoje. Acho que a campanha deste ano vai ser feia, muito negativa, e não quero que este filme seja confundido com isso.”

Getty Images
Brad Pitt: "vivemos num mundo violento"
Andrew Dominik minimizou a presença da violência no filme. “Não entendo a obsessão com a violência. Hoje, as pessoas não gostam mais de contos de fada, que são importantes para as crianças, pois dramatizam suas preocupações”, disse. “O filme basicamente diz para as pessoas terem boa saúde mental”, completou, provocando risadas.

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Pitt afirmou não ter nenhum problema, agora que é pai, em fazer um matador. “A violência é uma parte aceitável no mundo dos gângsteres. Quando você está envolvido no crime, o assassinato é uma possibilidade. Eu teria mais dificuldade interpretando um racista do que alguém que atira em outro cara no rosto”, disse. “E vivemos num mundo violento. Eu cresci caçando. Vocês comem hambúrguer. Sabe como matam a vaca? É o mundo onde vivemos.”

Presença constante em Cannes, Pitt sempre é foco de perguntas mais pessoais. O ator contou que Angelina Jolie não estará no tapete vermelho hoje à noite. “Ela está se preparando para um projeto”, disse. Os dois pretendem fazer outro filme juntos, e o casamento ainda não tem data marcada.

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