"Ele não deveria pensar em abandonar seu emprego fixo", diz jornalista sobre primeiro filme do cantor

Pete Doherty em Cannes
EFE
Pete Doherty em Cannes
"Não largue seu emprego fixo", foi o conselho curto e grosso dado pelos críticos ao roqueiro Pete Doherty depois de vê-lo atuando em "Confession of a Child of the Century", filme romântico ambientado no século 19 que estreou no festival de Cannes .

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Baseado no romance autobiográfico de Alfred de Musset sobre seu relacionamento com a escritora George Sand, "Confession" tem como protagonista um parisiense de vida devassa, algo que lembra a história de álcool e drogas do ex-vocalista das bandas Babyshambles e Libertines.

Doherty costuma aparecer nos tabloides britânicos por causa de seus problemas com a lei e da sua tumultuada relação com a modelo Kate Moss. A diretora Sylvie Verheyde tinha essas semelhanças em mente ao escalar Doherty para o papel central do filme falado em inglês. Ele contracena com a atriz francesa Charlotte Gainsbourg.

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Doherty, que aparece no filme de cartola, fraque e bengala, disse que não hesitou em aceitar a experiência. "Não dava para não fazer, mesmo", disse ele à Reuters em Cannes. "As coisas aparecem na vida, onde há uma certa melodia, ou uma certa pessoa, e não dá para não se envolver porque você se arrepende, vai lamentar, e ficaria realmente enciumado se outro fizesse."

O roqueiro Pete Doherty está no elenco de
Divulgação
O roqueiro Pete Doherty está no elenco de "Confession of a Child of the Century"
Mas a maioria dos críticos que viu o filme, selecionado para a seção Um Certo Olhar, discorda de Doherty. "Com base na sua atuação de estreia ... o vocalista do Libertines e Babyshambles não deveria nem pensar em largar seu emprego fixo", escreveu Megan Lehmann na publicação Hollywood Reporter, dizendo que a culpa é também da diretora.

Baz Bamigboye, do Daily Mail, disse que Doherty, que já foi apanhado por possuir cocaína, "agora o foi no Festival de Cinema de Cannes por não possuir nenhum talento como ator". Boyd van Hoeij, da Variety, disse que a dupla de protagonistas demonstra em cena "toda a química de dois filés de peixe congelados, com falas à altura".

Exceção, Geoffrey Macnab, do Independent, deu três estrelas ao filme (de um máximo de cinco) e disse que Doherty "está interpretando uma versão de si mesmo no século 19, e faz isso muito bem. Ele é contido, mordaz, mas tem uma vulnerabilidade que o impede de parecer detestável (demais). Os problemas desse filme desigual não são culpa sua".

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