Competição de 2012 passa da metade sem candidato evidente à Palma

"Amour", de Michael Haneke, e "Dupa Delauri", de Cristian Mungiu, lideram preferência da crítica internacional

Mariane Morisawa, enviada especial a Cannes |

Com 14 dos 22 longas-metragens em competição no Festival de Cannes já exibidos, dá para dizer com segurança que a Palma de Ouro evidente ainda não apareceu – e, normalmente, não há muitas dúvidas quando ela surge. Foi assim em 2008, quando “Entre os Muros da Escola”, de Laurent Cantet, foi o último filme apresentado. Ou em 2009, quando houve dúvida entre “O Profeta”, de Jacques Audiard, e depois “A Fita Branca”, de Michael Haneke (que acabou levando o troféu). Ou mesmo no fraco 2010, que premiou “Tio Boonmee, que Pode Recordar Suas Vidas Passadas” , de Apichatpong Weerasethakul, ou no forte 2011, com “A Árvore da Vida” , de Terrence Malick. Em 2012, não há candidato evidente ainda – claro que, se ele não surgir, o júri presidido por Nanni Moretti vai ter de se virar com o que tem em mãos mesmo.

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Jean-Louis Trintignant em "Amour", de Michael Haneke: um dos favoritos da crítica
A competição deste ano não está ruim como 2010 – o único filme que não merecia concorrer é o egípcio “Baad el Mawkeaa” , mas, até agora, não teve nada arrebatador. O problema, provavelmente, é que a expectativa era muito alta. Afinal, havia novos longas de Michael Haneke e Jacques Audiard, Palma de Ouro e Grande Prêmio do Júri em 2009, Cristian Mungiu, Palma de Ouro em 2007 por “4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias”, Abbas Kiarostami, Palma de Ouro em 1997 com “Gosto de Cereja”, fora os trabalhos novos de Wes Anderson, Matteo Garrone, Alain Resnais, Andrew Dominik.

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Marion Cotillard em "De Rouille et d'Os": candidata a melhor atriz
Mas todos vieram com filmes diferentes dos anteriores e menores em escala. Garrone, por exemplo, foi da violência dos mafiosos de décimo escalão da Camorra em “Gomorra” para o fascínio dos reality shows num peixeiro napolitano na comédia “Reality” . Depois de contar a saga de nascimento de um mafioso em “O Profeta”, Audiard fez uma história de amor em tempos de crise em “De Rouille et D’os” . Mesmo Michael Haneke voltou “suave” com “Amour” , após a rigidez de “A Fita Branca”. São todas produções menos ambiciosas desses diretores normalmente cheios de ambição.

Os únicos que se superaram foram Thomas Vinterberg, com “Jagten” , seu melhor filme desde “Festa de Família”, e Wes Anderson, com “Moonrise Kingdom” . Ainda assim, falta-lhes força para serem candidatos indiscutíveis à Palma.

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Resumindo: até o momento, não dá para apostar em nenhum para a Palma de Ouro. Na lista com cotações de dez críticos publicada pelo “Screen Daily” na edição desta terça-feira (22), os favoritos são “Amour”, de Michael Haneke, e “Dupa Delauri” , de Cristian Mungiu, ambos com média 3,3. Em seguida, vêm “De Rouille et d’Os”, de Jacques Audiard, e “Jagten”, de Thomas Vinterberg, empatados com 2,9; “Moonrise Kingdom”, de Wes Anderson, e “Vous N’avez Encore Rien Vu” , de Alain Resnais, ambos com 2,6; “Like Someone in Love” , de Abbas Kiarostami, com 2,4, e “In Another Country” , de Hong Sangsoo, com 2. Abaixo, “Reality”, de Matteo Garrone, com 1,9, “Os Infratores” , de John Hillcoat, com 1,7, e, empatados em último, “Baad el Mawkeaa”, de Yousry Nasrallah, e “Paradies: Liebe” , de Ulrich Seidl, com 1,5.

Por enquanto, não faltam candidatos ao prêmio de melhor ator, com Jean-Louis Trintignant (“Amour”), Matthias Schoenaerts (“De Rouille et d’Os”) e Mads Mikklesen (“Jagten”) entre os favoritos. Na categoria de atuação feminina, no entanto, são menos candidatas, dada a maioria absoluta de filmes sobre o universo masculino até aqui. Marion Cotillard (“De Rouille et d’Os”), Cosmina Stratan (“Dupa Delauri”) e Emmanuelle Riva (“Amour”) são as principais concorrentes.

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