"Queria mostrar egípcios como indivíduos", diz diretor em Cannes

"Baad el Mawkeaa" foi rodado durante a revolução que derrubou o presidente Hosni Mubarak

Mariane Morisawa, enviada especial a Cannes |

Divulgação
Cena do filme egípcio 'Baad el Mawkeaa'
Yousry Nasrallah, diretor de “Baad el Mawkeaa” (“Depois da Batalha”, na tradução literal do inglês), exibido na noite da quarta-feira (16) na competição do 65º Festival de Cannes, estava preparando um outro filme quando estourou a revolução no Egito que derrubou o presidente Hosni Mubarak.

“Quando vi o que estava acontecendo, percebi que a equipe e o elenco estavam pensando em outras coisas. E pensei: ‘É disso que se faz um filme’”, disse em entrevista coletiva no início da tarde desta quinta-feira (17).

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Mas ele preferiu não escrever um roteiro. “Todos os dias aconteciam coisas”, contou. Sua principal preocupação era não tratar as pessoas que foram para a Praça Tahrir como a massa vista nas imagens de televisão. “Queria que as pessoas vissem os egípcios como indivíduos.”

A protagonista Mena Chalaby, que interpreta Reem, disse que sentiu certo medo em rodar um filme sobre a revolução no momento em que ela estava acontecendo. “Mas tenho medo com qualquer filme, sempre há risco.”

Para o ator Bassem Samra, intérprete de Mahmoud, um cavaleiro manipulado pelo governo e acusado de ser contra os revolucionários, “a presença do filme em Cannes é mais uma arma contra os que são contra a liberdade artística no Egito”.

O país passa por suas primeiras eleições presidenciais da história no dia 23 e 24 de maio.

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