Seção Paralela de Cannes tem de drama sobre islamismo a filmes sobre relacionamentos

Mostra tem 'Student', versão de 'Crime e Castigo', e longa do filho de David Cronenberg

Mariane Morisawa, enviada especial a Cannes |

A seção paralela oficial do Festival de Cannes 2012 é algo difícil de definir. Entram na Um Certo Olhar tanto os filmes que não se encaixam na competição – ou porque não são de cineastas claramente “de competição”, como Michael Haneke, Lars Von Trier e os irmãos Dardenne, ou porque seu tema não se encaixa nas linhas gerais da mostra principal.

Ali também é o lugar dos longas mais comerciais (mas não blockbusters) ou experimentais ou políticos, de cineastas promissores que ainda não têm tanto estofo para concorrer à Palma de Ouro – mas que podem chegar lá um dia. Enfim, um verdadeiro balaio de gato.

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Ricardo Darín e Jérémie Renier em 'Elefante Blanco'

Nesta 65ª edição, há, por exemplo, o argentino Pablo Trapero, que já esteve na competição com “Leonera” e voltou à mostra Um Certo Olhar com “Abutres”. Agora, é a vez de “Elefante Blanco”, novamente com Ricardo Darín e Martina Gusman, além de Jérémie Renier, o ator-fetiche dos irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne. O longa se passa numa favela em Buenos Aires, onde dois padres lutam pela comunidade local.

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Cena de 'Gimme the Loot'

Sempre colocando questões políticas e sociais ao fundo de seus trabalhos, o diretor também participa do filme coletivo “7 Días en la Habana”, que pretende mostrar as mudanças pelas quais a capital cubana está passando neste momento de transição. O ator Benicio del Toro, o franco-argentino Gaspar Noé, o palestino Elia Suleiman, o francês Laurent Cantet, o espanhol Julio Medem e o cubano Juan Carlos Tabío dividem a direção.

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A coprodução Colômbia-Brasil-França “La Playa D.C.” também mostra a descoberta de uma cidade pelo adolescente Tomas.

“Gimme the Loot”, do norte-americano Adam Leon, também fala de dois adolescentes do Bronx, em Nova York, que precisam se vingar depois que uma gangue rival destrói um de seus grafites, enquanto “Djeca”, de Aida Begic, da Bósnia-Herzegovina, retrata uma jovem que encontra o conforto no Islã depois de presenciar a sangrenta guerra no país durante sua infância.

“Les Chevaux de Dieu”, de Nabil Ayouch, é outro que se passa entre jovens envolvidos com islamismo e pobreza e inspirado em ataques terroristas em 2003 em Casablanca.

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Cena de 'Renoir', filme de Gilles Bourdos

Crime e Castigo

Um estudante é o personagem principal de uma versão moderna de “Crime e Castigo”, de Dostoievski, em “Student”, do cazaque Darezhan Omirbayev, e “Despues de Lucia”, do mexicano Michel Franco, fala das dificuldades de uma menina em sua nova escola. Em “Le Grand Soir”, de Banoît Delépine e Gustave Kervern, dois irmãos de meia idade resolvem fazer uma revolução.

O japonês “11.25 Jiketsu no Hi, Mishima Yukio to Wakamonotachi”, de Koji Wakamatsu, também fala de sacrifício pessoal ao tratar do suicídio ritual do romancista Yukio Mishima, em 1970. Já “Renoir”, do francês Gilles Bourdos, registra o pintor em seus últimos anos de vida, quando ele arruma uma nova modelo para seus quadros.

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Em outra ponta, há vários filmes que lidam com relacionamentos, como “A Perdre la Raison”, do belga Joachim Lafosse, “Confession of a Child of the Century”, da francesa Sylvie Verheyde, “La Pirogue”, do senegalês Moussa Touré, sobre 30 homens num barco, “Laurence Anyways”, do canadense Xavier Dolan, “Miss Lovely”, do indiano Ashim Ahluwalia, e “Mystery”, do chinês Lou Ye.

Já Brandon Cronenberg, em “Antiviral”, lida com ciência como seu pai, David Cronenberg. E “Beasts of the Sourhern Wild”, do norte-americano Benh Zeitling, fala de forma lúdica sobre uma criança.

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