Diretor de Cannes rebate acusações de preconceito contra mulheres

Thierry Frémaux comenta fato de que nenhum filme na competição ser obra de uma cineasta

EFE |

Getty Images
Thierry Frémaux: "Nunca vamos escolher um filme simplesmente por ter sido feito por uma mulher"
O diretor geral do Festival de Cannes , Thierry Frémaux, se defendeu nesta segunda-feira (14) das acusações de sexismo por parte de um grupo feminista, que, por sua vez, lamenta que a seleção de filmes deste ano não apresente nenhuma mulher entre os 22 diretores da competição oficial .

"Ninguém duvida que o espaço reservado às mulheres no cinema deve aumentar. Mas, esse problema não começará a ser resolvido em Cannes, mas ao longo de todo o ano", indicou Frémaux em uma coluna publicada na edição online do jornal L'Express.

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Segundo o diretor, como cidadão, ele concorda plenamente com o compromisso feminista, mas, como profissional, deve selecionar as obras de acordo com os critérios de avaliação, rejeitando a ideia do evento ter um sistema de cotas.

"Nunca vamos escolher um filme que não mereça estar selecionado simplesmente porque tenha sido feito por uma mulher. Essa suposta política de cotas poderia prejudicar a causa neste sentido", disse o diretor.

De acordo com o diretor do festival, "a causa feminista deve ser defendida além de Cannes, que é uma ilustração do que é o cinema atual". Desta forma, ele acredita que "acusar o festival não resolverá estritamente nada".

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Em um artigo publicada sexta-feira no jornal Le Monde, a atriz Fanny Cottençon e as diretoras Virginie Despentes e Coline Serreau, integrantes do coletivo feminista "La Barbe", afirmaram que a competição oficial de Cannes em 2012 envia uma mensagem "forte", mas equivocada, tanto em relação à profissão como ao público.

A seleção deste ano, segundo as ativistas, demonstra mais uma vez "que os homens amam a profundidade nas mulheres, mas somente em seu decote". Desta forma, as mulheres acabam assumindo o papel de "perfeitas anfitriãs".

"Às mulheres, as bobinas de costurar e, aos homens, as dos irmãos Lumière!", concluia o artigo assinada pela organização feminista. Até hoje, a Palma de Ouro foi entregue a uma mulher em uma única ocasião: em 1993, com "O Piano", de Jane Campion.

Entre os concorrentes ao prêmio máximo de Cannes este ano estão grandes nomes do cinema mundial, como o brasileiro Walter Salles, Michael Haneke, Ken Loach, David Cronenberg, Carlos Reygadas e Alain Resnais.

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