"Camisas vermelhas" aceitam plano de reconciliação do Governo tailandês

(acrescenta quarto e quinto parágrafos com condições impostas pelos manifestantes) Miguel F. Rovira.

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(acrescenta quarto e quinto parágrafos com condições impostas pelos manifestantes) Miguel F. Rovira. Bangcoc, 4 mai (EFE). - Os líderes dos protestos que deixam a Tailândia em uma das piores crises políticas em décadas aceitaram hoje o plano de reconciliação do primeiro-ministro do país, Abhisit Vejjajiva, que propõe eleições gerais para 14 de novembro. A decisão foi adotada na reunião entre os líderes do movimento dos "camisas vermelhas" - como são conhecidos os manifestantes - depois de o ex-primeiro-ministro deposto e exilado Thaksin Shinawatra, guia e mentor dos opositores, recomendar que eles aceitassem a proposta do atual Governo. "Acordamos de forma unânime entrar no processo de reconciliação", anunciou Veera Musikapong aos "camisas vermelhas", que se aglomeravam na esplanada adjacente ao Central World, uma das luxuosas lojas de departamento que fecharam as portas quando há um mês os manifestantes ocuparam o coração comercial de Bangcoc. O líder opositor indicou que, para se efetuar a retirada dos manifestantes do centro de Bangcoc, o Governo deve primeiro dizer quando dissolverá o Parlamento e acabar com as intimidações contra os "camisas vermelhas". Fontes da Comissão Eleitoral explicaram hoje que, para poder organizar as eleições em 14 de novembro, a dissolução do Legislativo deve ocorrer no mais tardar no final de setembro. O acampamento montado pelos manifestantes no centro comercial de Bangcoc aparenta hoje o mesmo aspecto que em dias anteriores, com grupos de "camisas vermelhas" espalhados pela área de três quilômetros quadrados que ocupam já faz um mês. Em uma ligação telefônica do exterior durante a reunião do Partido Puea Thai (dos Tailandeses), braço político dos "camisas vermelhas", Shinawatra assinalou que havia chegado o momento de encerrar os protestos, informou à imprensa o assessor Noppadol Pattama. Os "camisas vermelhas" provêm em sua maioria das zonas rurais do norte e noroeste da Tailândia, as de maior densidade demográfica e redutos dos seguidores do multimilionário Shinawatra, deposto em 2006 e condenado a dois anos de prisão por corrupção. Em sintonia a Shinawatra se pronunciou o líder do partido opositor e antigo chefe do Exército, Chavalit Yongchaiyudh, a quem muitos tailandeses associam com a crise econômica ocorrida na Tailândia em 1997, quando era primeiro-ministro. "Acho que os 'camisas vermelhas' aos poucos voltarão para casa", assinalou Yongchaiyudh antes que os líderes da Frente Unida para a Democracia e Contra a Ditadura se reunissem para discutir o plano de reconciliação. O otimismo que antecedeu a resposta dos "camisas vermelhas" foi percebido na Bolsa de Valores de Bangcoc, que após vários dias seguidos de perdas, mudou sua tendência e fechou em alta de 4,37%. As lideranças da mobilização vermelha, na qual antes da reunião havia opiniões discrepantes sobre o plano, insistiu que antes de se pronunciar queria garantias de que o plano de reconciliação anunciado pelo primeiro-ministro e líder do Partido Democrata era apoiado pelos demais partidos da coalizão governista. Sobre os 24 líderes de frente antigovernamental pesam ordens de busca e captura, que, segundo fontes do Governo, serão canceladas por uma anistia, cujos termos estavam em discussão. Os "camisas vermelhas" protestavam nas ruas de Bangcoc desde 14 de março para exigir a dissolução imediata do Parlamento e a realização de eleições antecipadas. As explosões de granadas e outros artefatos e os confrontos travados entre agentes das forças de segurança deixaram 27 mortos e quase mil feridos desde que o início dos protestos. A data para realizar eleições proposta pelo chefe do Executivo antecipa em um mês a prevista em abril durante as negociações com os líderes dos "camisas vermelhas", que então a haviam rejeitado. Vejjajiva condicionou a proposta à união de forças próximas à monarquia, em uma aparente reação a supostos planos de subversão de Shinawatra do exílio, que negou ter estado por trás de qualquer ação contra a Coroa. No plano de reconciliação, Vejjajiva incluiu também a reforma constitucional para erradicar a injustiça nas estruturas econômica e política, mediante o compromisso do Governo de fomentar o bem-estar com melhoras na educação e na saúde. Ele também se comprometeu a criar uma comissão independente encarregada de investigar as 25 mortes ocorridas nos confrontos travados em 10 de abril entre os "camisas vermelhas" e as tropas oficiais nas ruas de Bangcoc. EFE mfr/sa

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