Por conta da crise política no Distrito Federal, que teve início no fim do ano passado com o Mensalão do DEM, Brasília, que comemora 50 anos nesta quarta-feira, não terá a festa e nem as atrações que foram idealizadas para seu cinquentenário.

Quem esperava shows internacionais vai ter de se contentar com atrações locais. Paul McCartney, que no ano passado era tido como presença certa no cinqüentenário, não virá a Brasília. Nem ele e nem Madonna ou a banda U2, que chegaram a ser cogitadas para o evento.

Com a prisão do ex-governador José Roberto Arruda e a renúncia de seu vice, Paulo Octávio, a organização da festa ruiu. Empresários e patrocinadores sumiram e, o evento que custaria mais de R$ 20 milhões, deve ser realizado com cerca de R$ 8 milhões.

Os problemas e cancelamentos não ficaram restritos aos shows. Quem estiver em Brasília não vai poder visitar grande parte dos monumentos que fazem parte do panorama da capital.

O Palácio do Planalto, a Praça dos 3 Poderes, o Panteão da Pátria, a Torre de TV, o Clube do Choro, o Planetário e a Catedral estarão em reforma. Com exceção da Catedral, que estará parcialmente aberta, os demais monumentos ficarão fechados para o público.

Apesar das dificuldades, o secretário de Cultura do Distrito Federal, Silvestre Gorgulho, garante que o evento será inesquecível para quem o acompanhar. Sem atrações internacionais, artistas de Brasília, num palco comandado por Daniella Mercury, farão um espetáculo conceitual e contarão a história da capital do Brasil.

Problemas existem em todos os lugares. Nós nos concentramos em resolver problemas e fazer uma festa digna para a cidade. Algo que melhore o astral da população e que conte a história de Brasília. Por isso teremos artistas daqui que hoje tem fama nacional e com eles contaremos a história da capital, disse.

Entre as atrações confirmadas, além de Daniella, estão as bandas Paralamas do Sucesso, Raimundos, Plebe Rude, Pedro Paulo e Matheus e artistas como Zélia Duncan, Milton Nascimento, Osvaldo Montenegro, Nando Reis, que fará um tributo a Cássia Eller, e diversos artistas regionais.

Quase sem som

Segundo os organizadores do aniversário de Brasília, não foi fácil, nem mesmo com as atrações marcadas, garantir a festa. Na semana passada o Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) suspendeu a contratação de equipamentos de iluminação e sonorização para os palcos.

Mesmo sem divulgar os preços, a assessoria da Corte disse que o governo pagaria por hora de locação dos equipamentos mais do que foi gasto por dia num material semelhante durante o Carnaval de 2010, por isso a determinação da suspensão.

Com a iminência do aniversário acabar sem luz e sem som, o novo governador do Distrito Federal, Rogério Rosso (PMDB), fez um acordo com empresários do setor. Eles garantiram o maquinário para a realização do evento. Não cobraram nada e disseram que este seria um presente do grupo para Brasília.

Paralelas

Uma das atividades paralelas do aniversário é o evento chamado "Brasília Outros 50". Patrocinado pelo ministério da Cultura e idealizado pelo Fórum de Cultura do Distrito Federal, o evento é uma espécie de mix da cultura local. Haverá shows de música e exposições de pinturas, exibições de vídeos, saraus de poesias, além de outras atividades artístico-culturais.

Também consta na programação do aniversário de Brasília evento como a apresentação da Esquadrilha da Fumaça, uma maratona em comemoração ao cinquentenário, uma regata no lago Paranoá, jogos da etapa do circuito mundial de Vôlei de Praia, lançamento de selos comemorativos, apresentação da Universidade do Circo e um desfile com os personagens de Walt Disney. 

A festa dos 50 anos de Brasília terá início às 7h desta quarta-feira com o badalar dos sinos da Catedral e deve se encerrar por volta de 1h de quinta-feira com atrações musicais. Durante o dia 21 o metrô da cidade não cobrará passagem.

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