Do sonho de Darcy Ribeiro nasceu a UnB

Universidade de Brasília tornou-se uma das melhores do País e figura entre tradicionais federais como UFMG, UFRJ, Unifesp e UFRGS

Priscilla Borges, iG Brasília |

Arquivo Cedoc UnB/Divulgação
Minhocão é o principal prédio da UnB
De acordo com o Índice Geral de Cursos indicador de qualidade das universidades brasileiras criado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), a Universidade de Brasília (UnB) figura entre as dez primeiras colocadas, num nível próximo de instituições tradicionais, como Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

À época da inauguração da nova capital, esse sucesso parecia impossível. Os planos ambiciosos e visionários do antropólogo Darcy Ribeiro, que vislumbrava um novo modelo de universidade em Brasília, não eram bem vistos por todo mundo. Israel Pinheiro, o homem contratado para tocar as obras na capital, por exemplo, discordava da proposta de Darcy.

Para ele, Brasília não deveria ter fábricas ou universidades, como contou o próprio Darcy Ribeiro. O objetivo era muito simples: afastar do centro do poder tudo o que pudesse atrapalhar os governantes, como greves e agitações. Apaixonado, no entanto, o antropólogo Darcy não desistiu de defender a importância da criação da Universidade de Brasília (UnB), já prevista no projeto de Brasília.

O audacioso Darcy sonhava com uma instituição moderna, que rompesse com os padrões estabelecidos para o ensino superior no Brasil até então. Incansável, ele pediu apoio a todos os deputados que podia. O esforço produziu resultados. Depois de duras negociações, em 15 de dezembro de 1961, o então presidente da República João Goulart autorizou a criação da universidade, sancionando a Lei nº 3.998.

Arquivo Cedoc UnB/Divulgação
Auditório Dois Candangos, onde ocorreu a cerimônia de inauguração da universidade
Em 21 de abril de 1962, no aniversário de dois anos da nova capital, a UnB foi inaugurada. Assim como Brasília, o campus era um grande canteiro de obras. Por isso, só tinham aulas no local onde hoje está o maior campus da instituição, na Asa Norte do Plano Piloto, os arquitetos e os engenheiros. As obras serviam como aprendizado real. Os outros alunos assistiam às aulas no Ministério da Saúde.

O Auditório Dois Candangos, onde aconteceu a cerimônia de inauguração do campus, ficou pronto 20 minutos antes da festa. Recebeu esse nome em homenagem a dois trabalhadores que morreram soterrados no local durante a construção. Aos poucos, do caos de poeira e lama, surgiam pequenos prédios: para a Reitoria, Departamentos de Letras, de Ciências Humanas, de Arquitetura, Física, Matemática, Biblioteca.

Proposta ousada

A UnB foi a primeira universidade brasileira a ser dividida em institutos centrais e faculdades. A entrada nos cursos tinha uma característica específica. Depois da formação básica de dois anos, os estudantes seguiam para os institutos e faculdades. Darcy Ribeiro, primeiro reitor da UnB, contou com o apoio do então diretor do Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos (Inep), Anísio Teixeira.

Arquivo Cedoc UnB/Divulgação
Invasão no campus na época da ditadura
O objetivo era que o aluno pudesse escolher entre diferentes caminhos após terminar o currículo básico: tornar-se pesquisador, professor ou profissional. Darcy queria também que a UnB fosse não só fonte de produção científica, mas também ponto de encontro artístico e cultural. Além da proposta de vanguarda, Darcy recrutou um grande time de especialistas para dar aulas na instituição.

Ao longo do tempo, o modelo proposto para a UnB não se concretizou. A universidade enfrentou a ditadura militar com furor, mas perdeu professores (de uma só vez, 200 docentes se demitiram em protesto contra a demissão de dois docentes) e o projeto, aos poucos, modificou-se. O espírito de vanguarda dos tempos da criação, no entanto, não desapareceu.

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