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Ziraldo recebe prêmio Quevedos 2008 na Espanha

MADRI ¿ O cartunista e escritor Ziraldo Alves Pinto considera que o VI Prêmio Ibero-americano de Humor Gráfico Quevedos, que receberá hoje na localidade de Alcalá de Henares, é o mais importante de sua carreira.

EFE |

Em entrevista à Agência Efe horas antes de receber o prêmio, Ziraldo se mostrou emocionado pelo carinho com o qual foi recebido na Espanha e equiparou o "Quevedos" ao Prêmio Cervantes.

Com a distinção, Ziraldo se torna o primeiro ganhador de idioma não hispano a ganhar o prêmio, que destaca a importância da obra e o compromisso social, algo que "todo artista deseja porque o homem trabalha à espera do reconhecimento", assegura.

"Há uma ansiedade enorme de realização no ser humano. Por isso quando se tem uma resposta para essa ansiedade, o homem fica realizado. E essa é a sensação que tenho ao receber o prêmio", ressalta Ziraldo.

O prêmio "Quevedos" é o principal da bienal que reúne os Ministérios de Cultura e de Assuntos Exteriores da Espanha, com orçamento de 30 mil euros (US$ 44,967 mil), e promovido pela Universidade de Alcalá de Henares.

Com mais de 70 anos de trajetória profissional, Ziraldo criou um universo povoado de personagens que fazem parte do imaginário coletivo brasileiro - alguns deles ganharam o cinema - e com os quais deu voz e personalidade questionadora.

Protestos em favor do desarmamento, apoio ao transplante de órgãos, consciência ecológica e ainda, o compromisso com a educação, estão entre algumas das mensagens que os traços e palavras e trazem aos seus leitores.

Entre os personagens, destaque para o "Meninho Maluquinho", Perere, "Jeremias, o Bom", "A Supermãe" e o "Mineirinho".

Nascido em Minas Gerais no ano de 1932, Ziraldo sustenta que embora "todos desenham obsessivamente desde crianças, há dois grupos de humoristas: os ilustradores e os que juntam a qualidade para o desenho com uma visão crítica do mundo".

O cartunista está inserido no segundo grupo porque considera essencial "duvidar de cada afirmação e porque é o porta-voz de uma máxima que circula por todo o país e que é o tema de um programa de televisão coordenado por ele: ler é mais importante que estudar".

Seu compromisso com a infância está refletido em seus livros infantis, uma das atividades às que mais tempo dedicou e pela que mais reconhecimento obteve no Brasil, desde que em 1969 publicou "Flicts".

Aos 77 anos, Ziraldo mantém uma atividade frenética e um forte compromisso com seu país, convencido que "o artista do Brasil tem uma obrigação com seu povo mais importante que a de um artista da França, Espanha ou Inglaterra, porque a vida o colocou em uma situação especial".

"Um artista como eu pode falar para muita gente, pode abrir consciências, pode inquietar as pessoas. Isso é algo que não pode ter como missão, mas não pode evitar que seja".

Além disso, sustenta que "no Brasil está tudo por fazer e por isso a escolha do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos de 2016 é muito importante para a auto-estima do povo e para demonstrar que a violência urbana não reflete o brasileiro".

O apego à cultura local não impediu Ziraldo de colocar a universalidade nos seus trabalhos, outra das razões pelas quais foi premiado e que atribui ao fato de ser um artista do Terceiro Mundo, aos que define como esponjas, "porque estar à margem permite ter mais informação sobre o mundo".

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