YouTube amplia conquistas virtuais e prepara salto publicitário

Mateo Sancho Cardiel. Cannes (França), 15 out (EFE) - Com apenas 30 anos, Chad Hurley é, sem dúvida, um dos homens mais ricos que passou por Mipcom, mas, como todo milionário, quer mais: hoje anunciou em Cannes um novo acordo com a RAI e estuda isoladamente o crescente negócio publicitário em seu portal. O YouTube é só a extensão superdimensionada do que era o dia um de sua criação, assegura Hurley, o mesmo que, em fevereiro de 2005, em uma garagem do Vale do Silício nos Estados Unidos, criava junto a Steve Chen e Jawed Karim um aplicativo para compartilhar vídeos na internet, o qual revolucionaria o mundo. Nestes dias, na feira audiovisual Mipcom, vídeo sob demanda foi uma das expressões mais ouvidas e o culpado deste conceito -que provocou a adaptação de todas as televisões do mundo- compareceu hoje perante um grupo reduzido de veículos de comunicação não para se desculpar, mas para continuar confirmando sua ameaça. Quase todos os usos recebidos pelo YouTube foram inesperados para os que o criaram, mas acho que a posição de internet como inimigo das televisões já está superada, porque pouco a pouco vamos encontrando formas de que todos sejam beneficiados. Milhares de televisões vêem seus conteúdos caírem na rede pouco após serem exibidos e, como conseqüência, milhares de espectadores se transferem ao portal, que já soma 280 milhões de visitas mensais. Assim, apesar de sua vocação inicial de ser o palco do mundo, o YouTube mudou seu rumo...

EFE |

"Somos um campo especialmente pouco vulnerável à crise econômica.

A publicidade on-line está crescendo cada vez mais, porque é muito mais fácil de medir seu impacto e de dirigir ao público-alvo", disse.

E, como se fosse pouco, a programação própria também está em suas metas. Além de criar seu próprio festival de curtas-metragens e de permitir aos usuários enviar perguntas aos Rolling Stones, o YouTube também começa a financiar sua própria programação.

Assim, Hurley aposta em Seth MacFarlane, o criador de "Uma Família da Pesada", o qual financiou junto ao Burger King uma série de curtas-metragens exclusiva para o portal.

"Para nós não resta pureza à idéia original do YouTube. Seguimos ajudando as pessoas que achamos que têm algo a contar", reconhece.

O YouTube viveu períodos menos agradáveis, como quando o grupo maoísta e terrorista peruano Sendero Luminoso divulgou através da página suas mensagens proselitistas, ou como quando o coreano Cho Seung-hui disponibilizou seu discurso anterior ao massacre que cometeu na universidade de Virgínia, nos Estados Unidos.

Apesar destes casos, perante os quais o YouTube, como com o conteúdo pornográfico, impôs a censura, Hurley assume que "não é possível controlar tudo o que acontece na internet, embora nós apaguemos esses conteúdos assim que são localizados".

Quanto à saturação de material provocada pela abertura global de um formato, Chad Hurley segue mostrando um otimismo inabalável: "Acreditamos na capacidade dos melhores para se impor ao resto", destaca, com a segurança de servir como exemplo para sua própria afirmação. EFE msc/db

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