Yeda recusa demitir secretário amigo de indiciado

Um encontro de cerca de 30 minutos do secretário do Planejamento e Gestão do Rio Grande do Sul, Ariosto Culau, com o empresário Lair Ferst, ontem, constrangeu o governo Yeda Crusius (PSDB). Ferst foi um dos 14 presos pela Operação Rodin, da Polícia Federal (PF), em 6 de novembro, e um dos 39 indiciados ao fim do inquérito, em 14 de março, por suposta participação no esquema de desvio de cerca de R$ 40 milhões do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), em 2003.

Agência Estado |

Informados de que Culau e Ferst tomavam chope na praça de alimentação do Shopping Total, deputados da oposição e até aliados pediram hoje a exoneração do secretário. Yeda não atendeu aos pedidos. "Ele é uma pessoa qualificada e íntegra e não está na minha linha de ação demitir um secretário porque ele tomou um chope com um amigo", justificou. O episódio dá mais munição à oposição na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o desvio.

A fraude consistia na contratação, pelo Detran, da Fundação de Apoio à Ciência e Tecnologia (Fatec), vinculada à Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), sem licitação. A Fatec terceirizava os serviços de elaboração e aplicação de testes para emissão de Carteiras Nacionais de Habilitação (CNHS) de motorista a empresas, entre as quais duas de familiares do empresário. As empresas são suspeitas de superfaturar os serviços e repassar parte dos ganhos a diretores do Detran.

Desde a instalação da CPI, em fevereiro, a oposição faz de Ferst alvo porque ele atuou na linha de frente na campanha política da governadora do Rio Grande do Sul em 2006. Culau comandou uma força-tarefa que estudou a situação jurídica do Detran e participou do anúncio da rescisão do contrato com a Fundação para o Desenvolvimento e Aperfeiçoamento da Educação e da Cultura (Fundae), substituta da Fatec desde abril de 2007. A decisão poria o governo do Rio Grande do Sul na ofensiva, mas o encontro com Ferst, poucas horas depois do anúncio, deu novas armas à oposição.

Shopping

Ao explicar o episódio, Culau disse que esperava por amigos no shopping quando recebeu um telefonema de Ferst e aceitou tomar chope com ele. O encontro foi flagrado pela reportagem do jornal Zero Hora . "Foi uma ingenuidade política minha", admitiu, depois de perceber a repercussão do gesto.

"Esse chope desceu quadrado", brincou, admitindo que é amigo de Ferst desde que voltou de Brasília, no início de 2007, e tentando separar um encontro privado das atividades públicas. Na Assembléia, os deputados Alexandre Postal (PMDB) e Adilson Troca (PSDB), aliados de Yeda, e o presidente da CPI, Fabiano Pereira (PT), pediram a exoneração do secretário. Culau pediu desculpas a Yeda. Até a noite de hoje, estava prestigiado. Ferst está em silêncio desde a Operação Rodin e não se manifestou sobre o encontro.

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