Yeda exonera mais um após escândalo do Detran/RS

A governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), exonerou o diretor de Obras do Departamento Autônomo de Estradas e Rodagem (Daer), José Luiz da Rocha Paiva. A decisão foi publicada nesta segunda-feira no Diário Oficial do Estado.

Redação com Agência Estado |

  • Empresário nega ter participado de campanha de Yeda
  • Yeda acusa ex-secretário de omissão no caso Detran-RS
  • Heráclito Fortes pede expulsão de vice-governador do RS

  • O governo ainda não informou o motivo da saída do diretor, que foi substituído por José Augusto de Oliveira, cuja nomeação também foi publicada nesta segunda.

    Antes disso, Yeda realizou quatro trocas no governo, no sábado, das quais três por pressão após a crise desencadeada na sexta-feira com a divulgação de uma conversa entre o então chefe da Casa Civil, Cézar Busatto (PPS), e o vice-governador, Paulo Feijó (DEM, ex-PFL).

    No diálogo, Busatto afirma a Feijó que "todos os governadores só chegaram aqui com fonte de financiamento; hoje é o Detran (Departamento Estadual de Trânsito), no passado foi o Daer".

    Yeda exonerou o chefe da Casa Civil e o secretário-geral de Governo, Delson Martini, cujo nome é citado em gravações telefônicas de dois denunciados na Operação Rodin, da Polícia Federal, que investigou esquema de fraude no Detran. Em um trecho dos diálogos, eles discutem uma forma de receber instruções de Martini para resolver impasse entre empresas que prestavam serviços superfaturados, segundo a denúncia.

    Além dos dois, o chefe do escritório do Rio Grande do Sul em Brasília, Marcelo Cavalcante, também foi exonerado. Ele recebeu uma carta do empresário Lair Ferst, um dos denunciados pela Polícia Federal, na qual admite irregularidades no Detran. Conforme o governo, ele desconsiderou a carta pela ausência de provas.

    O ex-comandante-geral da Brigada Militar Nilson Bueno também deixou o cargo no final de semana. Ele foi denunciado pelo Ministério Público Militar por uso indevido de diárias e intromissão em questões da Academia Militar.

    O Diário Oficial publica também a substituição do ex-diretor-geral do Daer, mas a mudança foi anterior à crise política. O ex-diretor deixou a função na quarta-feira, pois pretende disputar as eleições municipais.

    Operação Rodin

    A fraude foi constada na Operação Rodin, deflagrada pela Polícia Federal, que indiciou 40 pessoas, entre elas o ex-tesoureiro da campanha de Yêda ao governo estadual, Lair Ferst, e o então presidente do Detran, Flávio Vaz Netto.

    Através de duas entidades ligadas à Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), a Fatec (Fundação de Apoio à Ciência e à Tecnologia) e a Fenaseg (Federação Nacional das Empresas de Seguros Privados), e das empresas Rio del Sur Consultoria e Newmark, estas últimas de propriedade de Ferst, o esquema superfaturava os exames teóricos e as provas práticas para a concessão de carteiras de motorista.

    O Ministério Público Federal revelou, na semana passada, que o dinheiro desviado teria como um dos destinos a compra de imóveis de luxo em Porto Alegre e em Gramado, no Rio Grande do Sul. De acordo com o MP, a empresa Rio del Sur Ltda., de familiares de Ferst, adquiriu imóveis entre setembro de 2004 e março de 2006. 

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