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Woody Allen volta a Nova York com Whatever Works

Antonio Martín Guirado. Los Angeles (EUA), 19 jun (EFE).- Woody Allen, em plena viagem pela Europa, faz escala em sua cidade natal, Nova York, para apresentar Whatever Works ao público, que estreia hoje nos Estados Unidos, antes de começar a filmar seu novo filme em Londres, com o ator Antonio Banderas.

EFE |

O cineasta nova-iorquino retorna a suas origens com esta cínica comédia protagonizada por Larry David (co-criador da série "Seinfeld" e protagonista de "Curb Your Enthusiasm"), depois de ter gravado na Europa suas últimas produções: "Match Point" (2005), "Scoop - O Grande Furo" (2006), "O sonho de Cassandra" (2007) e "Vicky Cristina Barcelona" (2008).

David encarna o álter ego do diretor. Seu personagem é Boris Yellnikoff, um solitário mal-humorado que, por acaso, conhece uma jovem do sul (interpretada por Evan Rachel Wood) com quem inicia um romance mais que particular, apesar dos impedimentos impostos pelos pais dela (interpretados por Ed Begley e Patricia Clarkson).

O roteiro do filme, assinado também por Allen, data dos anos 70, quando tinha pensado em oferecer o papel protagonista a Zero Mostel, uma ideia que teve que descartar devido à morte do ator em 1977.

O cineasta preferiu adiar o projeto até encontrar um ator que encaixasse no perfil de Mostel, até que Allen pensou em David, com quem tinha tido um breve contato em "A Era do Rádio" (1987) e "Contos de Nova York" (1989).

"Larry me disse que eu estava cometendo um erro ao contratá-lo, por seus poucos filme e porque era terrível", disse Allen, de 73 anos. "E depois foi maravilhoso e natural desde a primeira tomada", acrescentou.

O personagem de David, que tem constantes ataques de pânico, se considera um gênio. No entanto, esteve perto de ganhar o Prêmio Nobel de Física Quântica. Tem um alto conceito sobre si mesmo e uma opinião negativa sobre a raça humana.

"Eu escrevi o roteiro, portanto é a maneira que eu vejo as coisas", admitiu Allen. "Mas Boris é um personagem que criei. Não me identifico com ele exatamente, é um extremo exagero dos meus sentimentos", acrescentou.

Muitos fãs encontrarão semelhanças do personagem com a maneira de ser do próprio diretor. Além disso, David afirmou que nunca quis interpretar Boris, por ele ser uma simples imitação de Allen.

"Sei que é um papel que normalmente ele faria, mas nunca tentei parecer com ele, nem ele queria que eu fizesse assim, portanto não houve nenhum problema", comentou David.

"Eu não seria tão engraçado se ficassem insultando as pessoas e proclamando minha genialidade aos quatro ventos, mas há certos indivíduos com o carisma suficiente para fazer isso e Larry David é um deles", afirmou Allen.

A interpretação de David, de 61 anos, gerou comentários muito positivos da imprensa especializada, o que costuma ser normal nos filmes de Allen e cujo último exemplo foi o Oscar recebido por Penélope Cruz, por "Vicky Cristina Barcelona".

"Eles ganham o prêmio basicamente porque são bons", afirmou o diretor. "Minha contribuição é dar o papel a eles para que possam abrir suas asas e mostrar como são os personagens", continuou Allen.

Em julho, de novo na Europa, mais precisamente em Londres, o diretor começará a gravação de sua nova obra, ainda sem título oficial, que contará com a atuação de nomes como Antonio Banderas, Anthony Hopkins, Freida Pinto (de "Quem Quer Ser um Milionário?"), Naomi Watts ("21 Gramas") e Josh Brolin ("Milk - A Voz da Igualdade").

"É uma questão financeira. É muito caro fazer filmes em Nova York. Eu trabalho com muito pouco orçamento", concluiu o diretor.

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