Roma, 11 fev (EFE).- Nem começou e a semana de moda feminina de Milão já causa polêmica, uma vez que algumas das mais renomadas grifes do evento decidiram concentrar seus desfiles nos três dias em que a toda-poderosa editora-chefe da Vogue americana, Anna Wintour, estará na cidade.

Wintour, uma das vozes mais influentes do mundo da moda, avisou aos organizadores da fashion week italiana que só poderia ficar três dias em Milão.

Em razão da limitada disponibilidade da editora, os desfiles locais foram encurtados em um dia, já que alguns dos estilistas de maior destaque resolveram se apresentar exatamente no fim de semana em que Wintour vai estar na capital da moda italiana.

Segundo a imprensa, a papisa da moda, retratada no filme "O Diabo Veste Prada", telefonou pessoalmente para os estilistas para avisar que só ficará em Milão entre os dias 26 e 28 de fevereiro, pois depois terá que assistir aos desfiles de Paris.

Grifes como Armani, Versace e Gianfranco Ferré cederam à barganha da editora e exigiram desfilar no último fim de semana de fevereiro.

Outras, como Fendi, Prada, Krizia e Laura Biagiotti, se rebelaram e decidiram manter as datas de suas apresentações.

A mudança de última hora no calendário da Milano Moda Donna, que se estenderia de 24 de fevereiro a 1º de março, provocou a ira de alguns estilistas e representantes do setor, que reclamaram da forma como os organizadores sucumbiram aos desejos e à vontade de Wintour.

À edição de hoje do jornal "La Stampa", o presidente da Câmara de Moda, Mario Boselli, afirmou que o caso é uma "verdadeira falta de respeito com o trabalho dos demais (criadores)".

Já o vice-presidente da associação e presidente da grife John Richmond, Saverio Moschillo, acusou os grandes estilistas "de não trabalharem em equipe", ao contrário dos franceses, que torceram o nariz para as pretensões da editora de origem inglesa.

O comentário mais duro foi de Diego Della Valle, proprietário da Tod's e que classificou o encolhimento da semana de moda italiana e a concentração das principais marcas em apenas três dias como "um dano gravíssimo à moda, ao sistema econômico do país e à liderança do 'made in Italy'".

Della Valle acrescentou que ninguém deve jogar a culpa em Wintour, com quem ele disse manter uma boa amizade. "O problema não é a arrogância de quem pede, mas a fraqueza de quem responde", destacou.

Boselli, farto das mudanças que teve que fazer nas datas da semana de Milão, arrematou: "Temos respeito pelo trabalho da sra.

Wintour, mas ela não parece respeitar o dos demais. Em Milão, será sempre bem-vinda, mas se vier para uma arrogante visita rápida, então é melhor que fique em casa". EFE ccg/sc

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