Robert Thompson conta como conseguiu sucesso mesmo na contramão da queda de vendas de jornais e da internet gratuito

Os leitores pagarão para ler notícias na internet, mas apenas se o conteúdo for único, “uma experiência premium”. Não se trata de teoria. Quem afirma isso é o diretor de redação do The Wall Street Journal e editor-chefe do Dow Jones & Company, o australiano Robert Thompson. Em dois anos nas funções, Thompson e sua equipe foram na contramão das quedas de vendas de jornais impressos nos Estados Unidos e aumentaram a audiência do site – cobrando por isso. Thompson veio ao Rio para falar no 8º Congresso Brasileiro de Jornais.

A maior parte do conteúdo no site do Wall Street Journal é fechada para os não-assinantes. “A maior parte está ‘atrás do muro’. O bom disso é que você pode mover esse ‘muro’ como quiser. Se acreditamos em jornalismo temos de gerar bastante recurso para investir em jornalismo. Há uma tentativa de se buscar uma grande audiência, apenas. Mas muitas vezes essa audiência não rende dinheiro, e, ao contrário, custa dinheiro. É preciso ser realista, em vez de se buscar cegamente audiência”, afirmou.

Hoje, a operação digital do tradicional Wall Street Journal já responde por cerca de 35% da receita do grupo. “Obviamente está subindo”, diz Thompson.

A grande vantagem do Wall Street Journal em relação a outros meios é que se trata de um conteúdo essencialmente voltado para negócios, e que frequentemente as informações publicadas fazem real diferença na vida – ao menos nas finanças – dos seus leitores. Nesse caso, uma matéria ou informação é um investimento, que pode significar dólares. “É mais fácil quando se trabalha em um jornal voltado para os negócios”, explicou.

Falando a donos e executivos de jornais do Brasil, Thopmson foi otimista quanto ao futuro do papel e disse que a essência do jornalismo não mudou e a receita de sucesso, em qualquer plataforma, é “ter uma redação qualificada, que produza conteúdo único”. “A base do jornalismo continua a mesma: integridade e precisão. O jornalismo tem de ser socialmente relevante, e tem se tornado irrelevante em algumas partes do mundo.”

Para fazer a circulação do Journal subir 20% nos últimos seis meses, a empresa está investindo em compras casadas de conteúdo, dando descontos para quem faz pacotes como jornal + internet, ou jornal + (leitura em) iPad, por exemplo.

“É preciso encorajar o leitor a comprar dois produtos e não um ou outro. Por US% 40 ou US$ 50 a mais você os faz ler mais em duas plataformas. É preciso monitorar atentamente aquilo por que as pessoas estão dispostas a pagar. Não deveríamos estar tão deprimidos”, afirmou.

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