BRASÍLIA (Reuters) - O novo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), José Antônio Dias Toffoli, pode suspender a extradição do ex-ativista político italiano Cesare Battisti, em um caso que abalou a relação diplomática entre Brasil e Itália, afirmaram autoridades e especialistas nesta sexta-feira. O ex-advogado-geral que tomou posse como ministro do STF nesta sexta-feira, pode influenciar a decisão contra a extradição de Battisti para a Itália.

"Ele pode mudar (o resultado)", disse Cristiane Romano, do escritório de advocacia Machado, Meyer, Sendacz e Opice, em Brasília.

Toffoli é ex-advogado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cujo governo declarou Battisti um refugiado político em janeiro, o que causou protestos de autoridades da Itália, que o consideram um terrorista.

Battisti, que integrou o grupo guerrilheiro Proletários Armados Pelo Comunismo, foi condenado na Itália à prisão perpétua por quatro homicídios nos anos 1970. O italiano nega todas as acusações.

Battisti escapou de um presídio italiano em 1981 e viveu na França até que sua extradição fosse aprovada por Paris, em 2006. Desde 2007 cumpre prisão preventiva para fins de extradição em Brasília.

O STF suspendeu o julgamento da extradição no mês passado, com quatro votos a favor e três contra. Dos dois juízes que ainda votarão, um é a favor e o outro contra a extradição. O voto de Toffoli pode forçar um empate, o que seria insuficiente para extraditar Battisti e abriria novas possibilidades legais para que o italiano seja absolvido.

Alguns analistas dizem que Toffoli não deveria votar por enfrentar um conflito de interesses, já que a procuradoria-geral sob sua direção representou o governo no caso Battisti.

Uma porta-voz do STF disse nesta sexta-feira que a decisão de se abster ou não do voto é de Toffoli. O julgamento deve ser reiniciado ainda este mês.

Leia mais sobre: Toffoli

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.