Voo Rio-Paris da Air France some no Atlântico com 228 a bordo

Por Estelle Shirbon e Pedro Fonseca PARIS/RIO DE JANEIRO (Reuters) - Um avião da Air France que fazia o trajeto Rio-Paris desapareceu sobre o Atlântico com 228 pessoas a bordo depois de sofrer uma forte turbulência, afirmaram nesta segunda-feira a empresa aérea e o governo francês.

Reuters |

A Força Aérea Brasileira disse que o Airbus A-330-200 sumiu no domingo quando sobrevoava sobre o mar e está sendo procurado por dois aviões militares que iniciaram as buscas a partir da ilha de Fernando de Noronha.

A FAB informou ainda que a aeronave passou por Noronha, a cerca de 350 quilômetros da costa brasileira, quando fez seu último contato por rádio, às 22h33. Uma tentativa de contato com a aeronave uma hora depois não teve sucesso, informou a assessoria da FAB.

"Provavelmente estamos diante de uma catástrofe", disse o executivo-chefe da Air France, Pierre-Henri Gourgeon, a jornalistas em Paris.

Segundo a Air France , o avião enviou uma mensagem automática notificando uma falha elétrica às 23h14 de Brasília, cerca de 15 minutos depois de passar por uma área onde havia tempestade e forte turbulência.

O voo AF 447 partiu do Aeroporto Internacional Tom Jobim às 19h de domingo, e deveria pousar no Charles de Gaulle (Paris) às 11h15 de segunda-feira (6h15 em Brasília).

O avião levava 216 passageiros -- 126 homens, 82 mulheres 7 crianças e um bebê -- e 12 tripulantes. A Air France disse que os pilotos tinham grande experiência.

"Normalmente são muitos brasileiros. Nesses voos, em média, 50 por cento são brasileiros e 50 por cento estrangeiros", disse à Reuters Antônio Jorge Assunção, gerente da Air France no aeroporto Tom Jobim.

O ministro francês Jean-Louis Borloo descartou a hipótese de sequestro aéreo. "É uma horrível tragédia", disse Borloo à rádio France Info.

A última localização do avião é desconhecida. O último contato com o Centro de Controle de Área Atlântico (Cindacta 3) foi feito a 565 quilômetros de Natal.

Às 22h48, quando a aeronave saiu da cobertura radar do Cindacta 3, as informações indicavam que o avião voava normalmente a 35.000 pés (11 quilômetros) de altitude e a uma velocidade de 840 km/h, segundo a FAB.

"Já tinha passado por (Fernando de) Noronha às 22h33. Uma hora depois o avião teria que fazer contato por rádio novamente e nesse momento não fez esse contato", disse a assessoria da Força Aérea Brasileira (FAB).

"Em função disso entramos em contato com a Ilha do Sal (Cabo Verde). A aeronave também não fez nenhum tipo de contato com eles e nem apareceu no radar", acrescentou.

Jean-Christophe Ruffin, embaixador da França no Senegal, disse à emissora francesa iTele que aviões também decolaram do país da África Ocidental para participar das buscas.

O controle do tráfego aéreo em Dacar disse que o voo AF 447 não chegou a aparecer nos radares da África.

PARENTES

A Air France disse que parentes de ocupantes do voo estão sendo levados para uma área especial dos aeroportos Charles de Gaulle e Tom Jobim.

No Rio, familiares de passageiros e tripulantes do voo que chegavam ao aeroporto no início da manhã reclamavam da falta de informação.

"Liguei cedo para Air France, disse que queria informações. Deixei um telefone e pedi que me ligassem e como não ligaram tive que vir aqui ao aeroporto e me deparei com o balcão vazio", afirmou Bernardo Souza, cujo irmão, Romeu Amorim de Souza, e a cunhada estavam no voo.

O último grande incidente envolvendo um avião da Air France ocorreu em julho de 2000, quando um supersônico Concorde caiu sobre prédios logo após decolar de Paris com destino a Nova York, matando seus 109 ocupantes e 4 pessoas no solo.

Em agosto de 2005, um Airbus da Air France pegou fogo depois de sair da pista do aeroporto de Toronto (Canadá), num dia de tempestade. Não houve mortos.

O Brasil teve dois grandes acidentes aéreos em 2006 e 2007, o que gerou preocupações com a segurança do tráfego aéreo no país.

Em julho de 2007, todos os 187 ocupantes e 12 pessoas em terra morreram quando um Airubus A-320 da TAM avançou além da pista do aeroporto paulistano de Congonhas, batendo em um prédio vizinho.

Em setembro de 2006, um avião da Gol caiu na Amazônia após ser atingido em pleno voo por um jato particular Legacy. Todos os 154 ocupantes do avião maior morreram.

(Reportagem adicional de Jean-Baptiste Vey, Gerard Bon, Astrid Wendlandt e Tim Hepher em Paris e Rodrigo Viga Gaier no Rio de Janeiro)

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