Volkswagen investirá R$6,2 bi no Brasil até 2014

Por Alberto Alerigi Jr. SÃO PAULO (Reuters) - A Volkswagen investirá 6,2 bilhões de reais no Brasil de 2010 a 2014. Ao final desse período, a montadora espera que as vendas no mercado interno por toda a indústria atinjam 4 milhões de veículos, uma expansão de 33 por cento frente ao esperado pelo setor para este ano.

Reuters |

O anúncio do investimento, feito nesta quinta-feira pelo presidente da subsidiária brasileira da montadora alemã, Thomas Schmall, acontece menos de uma semana depois de a norte-americana Ford ter revelado plano de investir 4 bilhões de reais no Brasil de 2011 a 2014.

De acordo com Schmall, o programa anterior de investimentos da Volks no país --de 3,2 bilhões de reais para o intervalo de 2007 a 2011-- já foi integralmente consumido.

Do total de 6,2 bilhões de reais para os próximos anos, 60 por cento serão destinados a produtos e o restante será voltado a infraestrutura para ampliar capacidade de produção nas fábricas de São Bernardo do Campo, Taubaté e de motores em São Carlos, todas instaladas no Estado de São Paulo. A fábrica da empresa em São José dos Pinhais (PR), a mais recente de automóveis do grupo no país, não será ampliada.

Metade da verba virá da matriz alemã, disse o presidente da Volks no Brasil, acrescentando que a montadora não usará recursos do BNDES. "Temos condições melhores (de financiamento) dentro de nossa casa (matriz do grupo)", afirmou o executivo.

O objetivo da companhia é manter a operação do Brasil entre os três principais mercados em vendas para o grupo no mundo --depois de China e Alemanha, o Brasil é o terceiro maior mercado-- e para isso a montadora está trabalhando em novos produtos.

Para 2009, a empresa lançará 16 veículos (entre novos modelos e versões de atuais), dos quais o 15o foi lançado nesta quinta-feira, uma versão reestilizada do compacto Crossfox. O planejamento de 2010 por ora prevê mais 13 lançamentos, dos quais um terço será no segmento de comerciais leves, que inclui picapes e furgões.

"Nosso objetivo também é manter uma participação de mercado no Brasil de 25 por cento até 2014, quando teremos vendas de cerca de 1 milhão de unidades", disse Schmall. "Trabalhamos para conquistar a liderança do mercado brasileiro, mas o foco é crescer com sustentabilidade", afirmou o executivo.

Faz parte da estratégia de promoção da marca patrocinar pela primeira vez a seleção brasileira de futebol ao longo das próximas duas Copas do Mundo, até 2014, mas o executivo se recusou a revelar o montante do patrocínio.

A Volks deve encerrar 2009 com produção de 800 mil veículos no país, ante uma capacidade instalada para 840 mil unidades.

Com os recursos do novo plano de investimento a capacidade será catapultada para "pouco mais de 1 milhão de veículos", afirmou Schmall.

Os recursos do novo plano são os maiores aplicados pela empresa no Brasil desde final da década de 1990, quando a empresa construiu em 1999 a fábrica de São José dos Pinhais ao custo de 3 bilhões de reais, num pacote de investimentos de 6 bilhões de reais.

IPI E ELEIÇÃO

Apesar do anúncio da Volks ter sido feito poucos dias depois de o governo ter prorrogado até 31 de março o desconto do Imposto sobre Produtos Industrializados de carros bicombustível de até 2 mil cilindradas, Schmall afirmou que a decisão de ampliar os investimentos deveu-se mais à estabilidade da economia.

"IPI é uma ação de curto prazo (...) Brasil está mais preparado hoje para enfrentar qualquer crise e isso é mais importante na decisão do investimento", disse Schmall, acrescentando que teve "várias conversas com o presidente Lula, porque é preciso ter confiança no país para se fazer um investimento assim."

Além disso, ele comentou que a companhia não tem receio sobre a eleição presidencial de 2010. "A situação política do país é estável. Por exemplo, não vamos investir na Venezuela porque vemos a situação política lá como não estável."

Schmall não informou quantos funcionários a empresa contratará até 2014 no Brasil, mas comentou que em 2009 a montadora fez 1.200 novas contratações e converteu 1.600 posições temporárias em empregos fixos. A empresa emprega atualmente 21,7 mil pessoas no país.

Segundo ele, o Brasil hoje tem relação de 6,7 habitantes por carro e em 2014 essa taxa cairá para 4,5. "Mesmo assim ainda haverá muito potencial. Mercados maduros como os Estados Unidos e Alemanha têm uma relação de 1,2."

PLANOS BILIONÁRIOS

Na semana passada, a matriz da empresa anunciou que planeja investimentos de cerca de 20 bilhões de euros (29,55 bilhões de dólares) nos próximos três anos no mundo, metade somente na Alemanha.

General Motors e Fiat também mantêm planos bilionários de gastos em expansão e novos produtos no país, em meio a um cenário favorável de vendas estimulado pela desoneração fiscal promovida pelo governo federal.

Além disso, a Toyota constrói sua segunda fábrica de veículos no país, enquanto Hyundai prepara sua primeira unidade produtiva própria para 2011 e a chinesa Chery estuda a construção de fábrica no Brasil.

A Fiat, líder em vendas de automóveis e comerciais leves, mantém plano de investir 5 bilhões de reais no país em três anos até 2010, ampliando sua capacidade de produção de 700 mil para 800 mil veículos por ano.

Enquanto isso, a GM investirá 2 bilhões de reais no Brasil até 2012 no desenvolvimento da família de veículos Viva, cujo primeiro veículo, o compacto Agile, foi lançado em outubro.

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