‘Viúva Negra’ será julgada na próxima segunda-feira

Advogada Heloísa Borba Gonçalves poderá ser condenada mesmo se não comparecer ao 1º Tribunal do Júri da capital fluminense

Flávia Salme, iG Rio de Janeiro |

Reprodução
"Viúva Negra": julgamento por homicídio marcado para o próximo dia 25 de julho
Há 19 anos a família do tenente-coronel Jorge Ribeiro aguarda um desfecho para a morte do militar, assassinado a golpes de marreta após ter sido amarrado e torturado, em 1992, no escritório que mantinha em Copacabana, zona sul do Rio de Janeiro. A principal suspeita é sua ex-mulher, a advogada Heloísa Borba Gonçalves, a “Viúva Negra” . Por estar foragida da Justiça, ela teve seu julgamento adiado quatro vezes – a última, em junho. Porém, com base na lei 11.680/2008 – chamada Cadeira Vazia – que permite a condenação em casos de seguidas faltas do réu, ela será julgada nesta segunda-feira (25).

Da última vez que a Justiça tentou concluir o caso, em junho, a defesa da Viúva Negra alegou que ela deveria ter sido intimada pessoalmente. Por estar em endereço desconhecido a intimação acabou sendo feita por edital.

Nesta segunda-feira, a longa espera por uma sentença para o caso deve começar a ter fim a partir das 13h30, no 1º Tribunal do Júri da Capital.

Veja aqui o destino dos homens que se envolveram com a "Viúva Negra".

Heloísa ganhou a alcunha de “Viúva Negra” – um tipo de aranha que mata o macho após a cópula – porque algo estranho acontecia com os homens que passavam pela vida dela . Três maridos morreram em circunstâncias mal explicadas. Um ex-companheiro a acusou de tentar matá-lo e o filho de uma de suas vítimas sofreu uma emboscada, mas sobreviveu. Por conta das acusações, Heloísa deixou o Brasil e hoje é procurada pela Interpol, a polícia internacional.

O Ministério Público estadual acusa a " Viúva Negra " de ter encomendado a morte de Ribeiro a uma terceira pessoa que até hoje não foi identificada. A acusação sustenta que ela teria planejado o crime e facilitado a fuga do assassino. A denúncia mostra que o militar foi amordaçado com um saco plástico, teve rosto e braços amarrados até receber diversos golpes na cabeça e no rosto, que lhe provocaram fraturas no crânio. A acusação afirma que a advogada agiu por “motivo torpe”.

O advogado Paulo Ramalho – responsável pela defesa do ator Guilherme de Pádua no assassinato da atriz Daniela Perez – entrou recentemente no caso como assistente de acusação do MP. Ele representa uma filha do tenente-coronel.

Heloísa já foi condenada por falsidade ideológica (nove acusações) e bigamia. Na época do crime, estaria casada com três homens: o tenente-coronel Jorge Ribeiro, o comerciante Nicolau Saad, e o policial militar Roberto de Souza Lopes. De acordo com o MP, a “Viúva Negra” aproveitava a falta de comunicação entre cartórios para selar os matrimônios. Também usava diversas identidades para burlar a lei.

Com a morte de seus companheiros, Heloísa teria herdado pelo menos sete apartamentos em Copacabana; três no Leblon ( um deles na praia, de frente para o mar ); duas casas no Jardim Botânico; três lojas e um apartamento na Barra da Tijuca ( zona oeste ). Estima-se que os bens cheguem ao valor de R$ 20 milhões.

A cada casamento ela acumulava novas identidades. Heloísa também assina como Heloísa Gonçalves Duque Soares, Heloísa Gonçalves Duque Soares Ribeiro e Heloísa Saad.

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