A viúva do cartunista Glauco, Ana Beatriz Galvão, morto na última sexta-feira junto com o filho, afirmou em entrevista ao Fantástico, da Rede Globo, que o jovem Felipe de Oliveira Iasi, de 23 anos, estava no local do crime no momento dos disparos e fugiu junto com o principal suspeito Carlos Eduardo Sandfeld Nunes, conhecido como Cadu, de 24 anos.

Essa versão contradiz o que o advogado de Felipe Iasi, Cássio Paoletti, afirmou neste domingo ao acompanhar seu cliente em depoimento a Polícia Civil. Segundo o advogado, Felipe não participou de nenhum crime e teria sido sequestrado por Carlos Eduardo. Além disso, teria fugido do local antes do crime e não teria presenciado os disparos.

De acordo com a versão do advogado, quando eles chegaram na casa do cartunista, Carlos Eduardo estava visivelmente abalado e obrigou Bia, mulher de Glauco, a filha e o cartunista a se sentarem no sofá. Nesse momento, o filho Raoni chegou e também foi obrigado a sentar-se com a família.

Apavorado, Felipe teria conseguido correr, entrado no carro e tentado dar a partida no veículo. Quando o carro pegou, ele arrancou e bateu a traseira do carro em uma lata de lixo. Ele disse ao advogado que nem chegou a ouvir os disparos e nega a versão de que teria ajudado Carlos Eduardo na fuga.

Mas segundo a viúva, o que aconteceu foi bem diferente do relatado pelo advogado. "Enquanto o Cadu fazia toda essa barbaridade, ele ficou sentado no sofá. Após o assassinato, ele levou o Cadu embora dentro do carro dele, afirmou Ana Beatriz.

A viúva de Glauco também confirmou que recebeu uma ligação do principal suspeito de ter cometido o crime. Ele falou: Oi, Bia, é o Cadu. Aí eu comecei a gritar, desesperada. Como você tem coragem de ligar no meu telefone?. Daí ele desligou", disse.

Futura Press
Reprodução divulgada pela SIG Osasco, mostra o carro que teria sido usado na fuga

De acordo com testemunhas e a polícia, Carlos Eduardo, q ue foi preso tentando fugir do País , teria invadido a casa das vítimas com pistola em punho. De acordo as investigações, ele queria levar o cartunista até sua casa. Acabou disparando dez vezes, acertando quatro tiros em cada um.

Carreira

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Glauco em foto de 1986
Nascido em 1957, em Jandaia do Sul, no Paraná, Glauco Villas-Boas publicou sua primeira tira em 1976 no Diário da Manhã, de Ribeirão Preto. A carreira decolou após ser premiado no Salão Internacional de Humor de Piracicaba, também em 1976, e na 2ª Bienal de Humorismo y Gráfica de Cuba.

Glauco começou a publicar suas tiras no jornal "Folha de S.Paulo" de maneira esporádica em 1977 e, em 1984, os desenhos passaram a ser regulares. Ele desenvolveu os personagens Geraldão, Casal Neuras, Doy Jorge, Dona Marta e Zé do Apocalipse.

Como redator, fez parte do elenco de redatores da TV Pirata, da Rede Globo. Músico, também tocava em bandas de rock.

Em parceria com os cartunistas Angeli e Laerte, lançou os "Los Três Amigos", tira com histórias sarcásticas que também eram publicadas pela Folha. Em 2006, publicou o livro "Política Zero", com 60 charges sobre a crise no governo Lula.

*Com informações da Agência Estado

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