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Viúva de Antonioni revela relação sofrida com o diretor

ROMA ¿ Aquele com Michelangelo foi um amor sofrido, marcado por traições e por um aborto. Se não tivesse ficado doente, provavelmente não teríamos continuado juntos, conta Enrica Fico, segunda esposa do diretor italiano Michelangelo Antonioni, que, um ano após a morte do grande cineasta, concedeu uma entrevista reveladora para a revista norte-americana Vanity Fair.

Agência Ansa |

Os dois se conheceram quando ela tinha 18 anos e ele 58. Quinze anos depois, Antonioni sofreu um derrame que o deixou sem a fala e com o lado direito do corpo paralisado. No ano seguinte se casaram. Desde então, Enrica permaneceu ao seu lado e se tornou a ligação entre ele e o mundo. "Não era com certeza um homem leve", conta, "mas agora que ele não está mais aqui, não tenho mais a responsabilidade moral sobre seu personagem, como quando estava doente. Porque, para ele, continuar a trabalhar era sua única maneira de viver".

"Viver ao seu lado não era fácil. Era, além de muito mais velho que eu, um homem de sucesso, com um caráter difícil e oposto ao meu. Autoritário, violento, muito prático, de uma ordem obsessiva, enquanto eu sou romântica, doce. Ele precisava fazer seus filmes e toda a energia dele era direcionada para isso. No domingo, por exemplo, eu podia querer fazer um passeio no interior, mas Michelangelo não sabia nem que dia era, para ele eram só mais 24 horas como as outras, para dedicar ao seu trabalho", conta Enrica.

Sobre a atração que sentia por um homem 40 anos mais velho, ela afirma que ele "era belíssimo. E atlético: tinha mais energia do que eu, e também do que os amigos da minha idade que massacrava em intermináveis partidas de pingue-pongue." Enrica admite, porém, que a infidelidade era constante na relação. "Todas as vezes eu dizia: Ou ela, ou eu".

Questionada pela Vanity Fair se ela também o traía, Enrica não mostra papas na língua: "Claro. Sempre com homens mais jovens. Quando ele descobria, dizia também: ou ele ou eu. E a história terminava. Eram homens dos quais eu gostava, e me sentia livre para trair, visto que ele também traía".

"Hoje não faria mais isso. Na minha idade [55 anos], a traição é uma perda de tempo: você recai sempre nas mesmas ações e nos mesmos dramas", pontua.

"Uma criança, eu queria", conta, lembrando que não teve nenhum filho com o diretor, "fiquei grávida e Michelangelo, que não queria ter filhos, não teve problemas com isso. Mas perdi o bebê, uma menina, no quinto mês de gravidez, durante as filmagens de 'Profissão: Repórter' (1975). Ele me disse: 'Vamos fazer outro', mas eu não quis mais".

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