Vítima de trote diz que não volta mais para faculdade

O estudante Bruno César Ferreira, vítima de agressão durante trote do curso de medicina veterinária da Anhanguera Educacional, no município paulista de Leme, disse hoje que a única certeza que tem em relação ao seu futuro, como estudante, é de que não volta para a universidade na qual sofreu maus tratos.

Agência Estado |

"Para lá (faculdade Anhanguera, em Leme) eu não volto. Eles estão educando vândalos, não futuros profissionais", afirmou. "Tenho medo de ser reprimido."

Segundo Ferreira, no trote realizado nesta segunda-feira ele foi ferido com um chicote, recebeu chutes no abdome e na cabeça e foi internado na Santa Casa do município em coma alcoólico.

"Cheguei às 7 horas, entrei e lá pelas 8 horas fui ver os valores das mensalidades na secretaria. Quando saí, um veterano me pediu pra tirar camiseta, boné, meus pertences", conta.

"Achei que ia raspar minha cabeça e me pintar, até aí tudo bem. Mas foi bem mais que isso, porque fizeram a gente (calouros) entrar em uma lona na qual tinha excremento de animais e aves em decomposição. Pensei: se isso representa a medicina veterinária, perdi a vontade."

O estudante contou que veteranos o fizeram beber pinga na universidade e em um bar próximo ao campus. Disse que também foi amarrado a um poste e agredido com pontapés. "Depois, sentei em uma cadeira e um veterano chutou. Me contaram que caí, bati a cabeça, fiquei desacordado. Foi quando me levaram para uma república para tentar me reanimar. Como não conseguiram, me largaram na rua, como indigente", afirmou. "Se fazem isso com um ser humano, imagina o que esses futuros médicos veterinários farão com um animal."

Por meio de nota oficial, a Anhanguera Educacional informou que é totalmente contra o trote violento e que desenvolve campanhas de trote solidário. Sobre o incidente ocorrido dentro do campus, a instituição informou que colocou um médico à disposição do aluno agredido, abriu uma sindicância para apurar responsabilidades pela agressão e irá tomar medidas cabíveis. O caso foi registrado no 1º Distrito Policial da cidade. A polícia já tem suspeitos, mas ainda vai ouvir a vítima e testemunhas.

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