Vítima de cavalo de pau em Alagoas considerava manobra 'maluquice'

Afirmação é da prima do comerciante que morreu em acidente no domingo

Thiago Guimarães, iG Bahia |

Arquivo Pessoal
Robson de Souza Silva, morto no domingo: "Ele não gostava de cavalo de pau. Devia estar bebendo e foi no impulso", disse a prima dele
Morto no último domingo (29) no interior de Alagoas em um capotamento de veículo durante um “cavalo de pau”, o comerciante Robson de Souza Silva, 32 anos, considerava a manobra uma “maluquice”.

A afirmação é de Jozineide de Souza Silva, 42 anos, prima da vítima. Para ela, Robson provavelmente cedeu a direção de sua camionete Hilux por insistência do amigo Rondinelle Melo Monteiro, que conduzia o veículo e sofreu ferimentos leves. Havia um terceiro homem no veículo, que saiu ileso.

O acidente ocorreu na tarde do último domingo, em Santana do Ipanema (205 km de Maceió), no sertão alagoano. Registrado por cinegrafistas amadores, teve as imagens divulgadas na internet.

Diante de dezenas de espectadores, a Hilux parece disputar um “pega” (uma corrida de velocidade) em uma pista de terra com outro veículo, que fica para trás.

O motorista tenta então fazer um cavalo de pau – inversão súbita da direção mediante acionamento de freio –, mas o veículo capota. Natural de Jacaré dos Homens, cidade a cerca de 50 km de Santana do Ipanema, Robson não resistiu aos ferimentos e morreu.

“Ele não gostava de cavalo de pau. Devia estar bebendo e foi no impulso, com a insistência dele (Rondinelle)”, disse a prima de Robson.

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Segundo Jozineide, Robson era separado e deixou duas filhas pequenas.Trabalhava com venda de bebidas e “se dizia amigo” de Rondinelle. “Ele gostava de beber, de curtir, mas não praticava cavalo de pau. Dizia que era uma maluquice”, disse a prima.

Rondinelle Melo Monteiro é filho de Leonor Melo Monteiro, que foi prefeita de Monteirópolis, outro município do sertão alagoano, de 2000 a 2004. Em 2008, foi apontado pela Polícia Civil como integrante de quadrilha investigada na operação Sertão, por crimes como assalto a bancos, receptação de carros roubados e sequestros.

Em setembro de 2010, Rondinelle foi condenado a oito anos e nove meses de prisão no processo do caso, pelos crimes de estelionato, receptação e formação de quadrilha. Responde ainda a uma acusação de homicídio ocorrido em Palmeira dos Índios (AL).

De acordo com o delegado Rodrigo Rocha, que investiga o acidente, o advogado de Rondinelle procurou a polícia nesta quarta-feira (1) e informou que seu cliente se apresentará em breve para depor. A reportagem não localizou Rondinelle ou seu advogado – em Monteirópolis, ninguém respondeu em número registrado em nome da mãe do suspeito.

A prima de Robson disse ainda que a mãe do comerciante está muito abalada pela morte – o rapaz era filho único.

Campeonato de cavalo de pau

O acidente ocorreu em um local conhecido como “Campo da Aviação”, um terreno da Prefeitura de Santana do Ipanema. O local abriga, em julho, evento conhecido como “Festa da Juventude”, que tem como ponto alto uma disputa de manobras de cavalo de pau. O episódio do domingo seria um treinamento para o campeonato .

A assessoria da Prefeitura de Santana do Ipanema afirmou, contudo, que não tinha conhecimento do uso do terreno para treinamento. Afirmou que a área é cercada e que foi invadida pelas pessoas presentes no local no domingo, que não tinham autorização para usar o terreno.

Ainda de acordo com a administração municipal, a disputa de cavalos de pau durante a festa possui esquema de segurança, com equipes de emergência, e os participantes assinam termos de responsabilidade, diferentemente do episódio de domingo.

De acordo com o delegado Rodrigo Rocha, que investiga o caso, dirigir em via pública causando perigo à segurança alheia é direção perigosa, delito previsto na Lei das Contravenções Penais, de 1941. Mas, no caso do campeonato de cavalos de pau da “Festa da Juventude”, segundo ele, trata-se de “evento devidamente autorizado”. “Como qualquer esporte radical”, afirmou.

A prima de Robson disse que o local do acidente era uma “festa” no domingo, inclusive com venda de bebidas, e que um outro veículo já havia capotado horas antes da manobra que resultou na morte do comerciante.

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