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Vistoria de Serra termina ao som de Está chegando a hora

¿Ai, ai, ai / Está chegando a hora / O dia já vem raiando, meu bem / Eu tenho que ir embora.¿ Essa foi a trilha sonora que embalou o final da vistoria feita nesta segunda pelo governador de São Paulo, José Serra, ao trecho Vila Sônia-Paulista da linha 4 do Metrô. No próximo dia 31, o político deixará o cargo para ser o candidato do PSDB à Presidência da República.

Marcelo Diego, iG São Paulo |


Serra, como tem sido praxe, se negou a comentar a disputa eleitoral. Tem o TRE (Tribunal Regional Eleitoral), o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) olhando, disse.

Na semana passada, o TSE aplicou uma multa de R$ 10 mil ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva por entender que ele havia feito campanha antecipada, ao declarar apoio à ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à Presidência, durante um evento oficial. O presidente irá recorrer da multa, por meio da AGU (Advocacia Geral da União).

Nas últimas semanas, Serra tem dedicado sua agenda a eventos, vistorias e inaugurações relacionadas a obras que pretende deixar como vitrine de sua administração na gestão estadual - e que poderão ser usadas como propaganda eleitoral. Nesta segunda-feira, ele andou em um dos trens que irá percorrer o trecho Vila Sônia ¿ Faria Lima ¿ Paulista e que deve ser aberto ao público nas próximas semanas.

A data exata depende ainda de protocolos de segurança a serem cumpridos. O governador andou em um dos novos trens que irá fazer o caminho e fez autoelogios à sua gestão. O Metrô, diferentemente de avião, não tem diferença de classe. É primeira classe para todo mundo, afirmou.

Durante a vistoria, Serra esteve acompanhado do vice, Alberto Goldman (que irá assumir a gestão do Estado), do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), e do secretário de Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, que também irá deixar o cargo, mas para ser o candidato tucano ao governo de São Paulo. Alckmin já foi governador de 2001 a 2006.

O plano original do governador era inaugurar a obra, mas isso não foi possível devido a atrasos na conclusão. Serra minimizou o fato com dois argumentos: um, que é comum atrasos de cinco meses para mais ou para menos em obras do Metrô - por envolverem, segundo ele, operações complexas desde a desapropriação até a própria execução. Outro é o de que ainda faltam protocolos de segurança a serem cumpridos antes da entrega para a população.

Não convém fazer nenhuma antecipação que coloque em risco a segurança. Segurança da população é fundamental, disse.

Mesmo sem a inauguração de fato, o evento de vistoria se transformou em um ato de despedida do governador. Funcionários da Via Quatro (concessionária responsável pelas obras) receberam Serra com aplausos e posaram para fotos ao seu lado na plataforma da estação Vila Sônia. Depois, o governador e sua comitiva embarcaram no trem e desceram na estação Faria Lima, acompanhado de fotógrafos e cinegrafistas de emissoras de televisão.

Na estação Paulista, o governador fez um discurso, assistiu a uma apresentação de jovens que foram capacitados para trabalhar nas novas linhas do Metrô e, na saída, ao percorrer a interligação entre a futura linha amarela e a já existente linha verde do metrô foi acompanhado pela trilha sonora de um grupo de música cantando Está chegando a hora.

Funcionários da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) empunhavam cartazes como redução de tempo entre um trem e outro, novos horários de funcionamento, mais estações construídas e outros feitos atribuídos ao governador.

Serra irá fazer uma prestação de contas de seu governo na quarta-feira, antes do anúncio da desincompatibilização do cargo.

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