O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), um dos senadores que mais pressionam pela renúncia de José Sarney (PMDB-AP) ao cargo de presidente do Senado, aconselhou o senador a casar com a biografia, em um discurso dirigido o tempo todo ao peemedebista. Virgílio mencionou o fato de Sarney ter sido presidente da República, presidente do Senado pela terceira vez, senador de cinco mandatos e personagem importante da transição do regime militar para a democracia civil.

Virgílio, sugerindo mais uma vez que Sarney faria melhor se optasse por deixar a presidência do Senado, afirmou que a insistência dele em permanecer no cargo é "uma luta inglória" que "mancha" seu currículo. Sarney ouviu Virgílio em silêncio e, no final, disse apenas: "Amanhã, terei oportunidade de responder ao discurso de Vossa Senhoria."

Sarney adiou para amanhã, após a sessão do Conselho de Ética, o discurso inicialmente previsto para hoje. Na pauta do conselho estão 11 representações contra o presidente do Senado, incluindo denúncias de envolvimento em irregularidades. Virgílio sugeriu que Sarney faça um reflexão e "dê a volta por cima, não com truculência, não com prepotência nem com ameaças de retaliação", porque "nada disso adianta". E repetiu a frase que vem dizendo em todos os discursos: "Ninguém me cala."

Virgílio dirigiu seu discurso também no sentido de neutralizar o que considera "retaliações" adotadas contra ele por defensores de Sarney. Disse que é um "gesto medíocre" a atitude dos que ameaçam pedir no Conselho de Ética a abertura de um processo de cassação de seu mandato. "Este é o gesto mais medíocre que já vi na vida, mas estou pronto para enfrentá-lo. Esse gesto mostra a que ponto chegou o movimento de apoio a Sarney para mantê-lo no cargo." Aliados de Sarney têm ameaçado apresentar representações contra Virgílio por causa do episódio em que um servidor de seu gabinete estudou na Espanha 13 meses e continuou recebendo salários pagos pelo Senado. O líder do PSDB está devolvendo, parceladamente, o valor desses salários (R$ 210 mil).

O líder do PSDB reafirmou não se dobrará às ameaças e que, se for preciso, apresentará "5 mil ações" contra Sarney, "por um dever de consciência." Referiu-se também ao presidente do Conselho de Ética, senador Paulo Duque (PMDB-RJ), que após assumir o cargo disse que poderia arquivar as denúncias contra Sarney. Virgílio afirmou que tem admiração pelo passado de Duque como militante do movimento estudantil. E, dirigindo-se a Sarney, insistiu: "Na sua biografia, essa cadeira a que Vossa Excelência está se apegando, nada representa."

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