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Virgílio diz não querer que Abin vire uma SS sem Hitler

RIO DE JANEIRO - O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), disse nesta quinta-feira que não quer que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) vire uma SS sem Hitler (Adolf Hitler), em referência à polícia nazista. Ele afirmou que a Abin veio para substituir aquela coisa asquerosa que era o SNI (Serviço Nacional de Informações).

Redação com Agência Estado |

"Não veio para ser asquerosa também", afirmou ele, no Fórum Especial, promovido pelo ex-ministro do Planejamento João Paulo dos Reis Velloso, na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no Rio de Janeiro.

O senador considera que a Abin é indispensável para informar ao presidente da República sobre ameaças como uma greve geral ou a presença de terroristas no Brasil. "Mas não pode ser usada como instrumento de perseguição de quem quer que seja, ou acaba ouvindo o secretário particular da Presidência da República." Ele se referia ao episódio em que foi gravada conversa do chefe de gabinete da Presidência, Gilberto Carvalho, com o ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalg.

Segundo Virgílio, ouvir o secretário particular "significa ameaça ao próprio presidente da República". O senador destacou a importância da democracia e disse que ela aproxima governo e oposição.

"Vamos ser muito claros ao afirmar esse compromisso (com a democracia) entre nós, seja quem venha a ter o poder amanhã, seja quem tem o poder hoje. O compromisso da oposição é não conspirar. O compromisso do governo é respeitar e aprofundar a democracia", afirmou.

Monitoramento no STF

A Polícia Federal (PF) acredita ser mais provável a existência de monitoramento sobre o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, do que um grampo nos telefones fixos do senador Demóstenes Torres (DEM-GO).

Após a divulgação de diálogo entre os dois, comprovando uma escuta clandestina, delegados da PF que apuram o caso estiveram com o parlamentar na manhã desta quinta-feira e lhe passaram tal impressão.

Pelas circunstâncias do telefonema, não previsto, e como teve evidência de que o ministro Gilmar foi grampeado outras vezes, é mais provável que ele estivesse sendo monitorado. Essa foi a impressão que me passaram [os delegados], disse.

Demóstenes citou trechos de seu depoimento aos delegados, que lhe disseram ser mais fácil monitorar um telefone móvel como o que Mendes usou na conversa com o senador do que grampear o telefone fixo que é ramal de uma central PABX.

Durante o depoimento de Demóstenes, técnicos da Polícia Federal fizeram uma busca por grampos nos telefones do senador e também foram até a central telefônica do Senado para investigar a existência de escutas clandestinas. O resultado das buscas não foi divulgado. A Polícia do Senado já havia realizado uma perícia nos telefones do senador. Nada foi encontrado.

A expectativa é que a PF leve de trinta a sessenta dias para concluir suas investigações. Até o momento, a suspeita número um da PF é que agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) desviados de sua função foram os responsáveis pelo grampo.

Demóstenes fala sobre grampo

Demóstenes também acredita que um dos servidores da Abin, desviado de sua funções, foi o responsável pela escuta. O foco principal, pelo que percebi, é a possibilidade inicial de que algum espião desviado de sua função na Abin tenha feito o grampo, declarou o senador.

Apesar disso, Demóstenes destacou que os delegados também trabalham com a hipótese do grampo ter sido feito por terceiros, mas esta não é a linha principal de atuação.

CPI

O senador Demóstenes Torres, que recebeu o convite para depor na CPI dos Grampos, na Câmara dos Deputados, disse que só irá até a comissão no caso do ministro Gilmar Mendes fazer o mesmo. Questionado se tal posicionamento já teria sido combinado com o presidente do Supremo, Demóstenes disse que não.

*(Com reportagem de Sarah Barros, Último Segundo/Santafé Idéias)

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