Virgílio apresenta denúncia contra Sarney que será enviada ao Conselho de Ética

BRASÍLIA - O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), apresentou nesta segunda-feira uma denúncia contra o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP). Ele acusa o peemedebista de ser o responsável pela nomeação de uma série de familiares e apadrinhados, de usar funcionários do Senado em sua fundação e residência no Maranhão, de receber auxílio moradia de maneira irregular e de ter a empresa de seu neto, José Adriano Sarney, participando do negócio de crédito consignado no Senado, que está sob investigação da Polícia Federal.

Severino Motta, repórter em Brasília |

Com a denúncia, cabe ao Conselho de Ética abrir ou não um processo por quebra de decoro parlamentar contra Sarney. Ele ainda disse que vai pedir reforço a seu partido para que a denúncia também seja protocolada diretamente como uma representação, que tem mais peso, mas só pode ser feita por uma agremiação, não por um parlamentar individualmente.

Nesta segunda-feira, Virgílio fez um pronunciamento no Senado . Ele acusou o presidente Sarney e o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL) de terem patrocinado matéria da revista "IstoÉ", que acusa o parlamentar de ter recebido US$ 10 mil do ex-diretor-geral do Senado, Agaciel Maia, para pagar contas de uma hospedagem de sua família em Paris.

Leia abaixo os pontos elencados por Virgílio em sua denúncia:

Torna-se imprescindível ¿ diz o senador ¿ a investigação, por este Conselho de Ética, pela prática de facilitação na operação dos empréstimos consignados junto aos servidores, por parte do Sr. José Sarney, tendo em vista a privilegiada situação de seu neto nas autorizações junto ao Senado Federal."

Alem disso, cita os seguintes casos que, a seu ver, também devem ser investigados:

1) Maria do Carmo Macieira, sobrinha de Sarney, foi nomeada por ato secreto no gabinete da senadora Roseana Sarney;

2) Vera Portela Macieira Borges, sobrinha de Sarney, foi nomeada por ato secreto no gabinete do senador Delcídio Amaral, em Campo Grande;

3) João Fernando Sarney, neto de Sarney, foi nomeado e exonerado por ato secreto do gabinete do senador Epitácio Cafeteira;

4) Rosângela Terezinha Michels Gonçalves, mãe de João Fernando Sarney, neto de Sarney, foi nomeada logo após a exoneração do seu filho;

5) Nathalie Rondeau, filha do ex-ministro Silas Rondeau e afilhado político do Sarney, foi nomeada para trabalhar no Conselho Editorial do Senado; Sarney preside o Conselho;

6) Amaury de Jesus Machado (secreta), funcionário da senadora Roseana Sarney em sua casa em Brasília, é lotado no gabinete da senadora;

7) José Sarney emprestou seu imóvel funcional ao ex- senador e seu aliado Bello Parga;

8) Elga Mara Teixeira Lopes, especialista em campanha eleitoral, foi nomeada e exonerada através de ato secreto entre o 1º e o 2º turno da campanha de Roseana Sarney para o governo do Maranhão, em 2006; um ato secreto cancelou a exoneração para preservar o salário de Elga;

9) Valéria Freire dos Santos, viúva de um ex-motorista do Sarney, mora há quatro anos num imóvel localizado no térreo de um dos prédios exclusivos para os senadores. Ocupa cargo comissionado no Senado Federal;

10) Fausto Rabelo Cosendey, gerente administrativo da empresa do neto do Sarney (SARCRIS, no Maranhão) José Adriano Sarney, é lotado no gabinete do deputado Sarney Filho;

11) Isabella Murad, sobrinha de Jorge Murad (marido de Roseana e genro de Sarney), foi nomeada por ato secreto para o gabinete de Epitácio Cafeteira. Ela mora na Espanha;

12) Virgínia Murad de Araújo, prima de Jorge Murad (marido de Roseana e genro de Sarney), foi nomeada no gabinete da liderança do governo no congresso pela Roseana Sarney;

13) Ivan Celso, irmão de Sarney, teve cargo de confiança no Senado;

14) Fernando Nelmásio Silva Belfort, diretor executivo do museu e também mausoléu de Sarney, foi lotado na Liderança do Congresso Nacional;

15) Shirley Duarte de Araújo, cunhada de Sarney, foi lotada durante seis anos no gabinete da senadora Roseana Sarney;

16) José Sarney encabeça os atos que criaram pelo menos 70% dos cargos de direção da Casa;

17) José Sarney recebia auxílio moradia no valor de R$ 3.800 mesmo tendo casa em Brasília;

18) José Sarney ordenou que quatro servidores da área de segurança do Senado Federal fossem deslocados para reforçarem a segurança de sua residência no Maranhão.


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