Com o dobro de atrações, cerca de 800, começa amanhã a Virada Cultural em São Paulo. O evento que já integra a agenda cultural da cidade se fixa com um dos mais importantes e aguardados pelos paulistanos.

Inspirada nas Noites Brancas, que acontece em cidades da Europa, a Virada chega à sua quarta edição com grandes atrações, principalmente musicais, que irão se apresentar nos 26 palcos espalhados pela região central e, ainda, em unidades do Sesc, CEUs e centros culturais, como o Auditório Ibirapuera.

Assim como nas edições anteriores, a Virada começa às 18h do sábado e só termina às 18h do domingo - numa maratona cultural de 24 horas ininterruptas. A expectativa, segundo o coordenador do evento, José Mauro Gnaspini, é de levar até 3 milhões de pessoas às ruas da cidade. A segurança e comodidade fica por conta dos 1,2 mil seguranças, 30 ambulâncias e os 350 banheiros químicos espalhados.

A Virada Cultural oferece atrações de teatro, cinema, dança, exposições e infantil, mas o forte mesmo é o nicho musical. E não são poucos os bons shows que vão acontecer no evento. No Palco Principal, na Av. São João com a Rua Aurora, se apresentam grandes nomes da música brasileira, como Gal Costa (21h), Zé Ramalho (0h), Mutantes (3h), Marcelo D2 (12h) e o sempre energizante Jorge Ben Jor (18h). Nomes internacionais também sobem ao palco, como a melancólica Cesária Évora, que abre, às 18h, e o grupo de reggae The Gladiators (6h). Nomes de destaque no cenário alternativo também têm vez, como a big band Orquestra Imperial (15h) e o Teatro Mágico (9h).

Outros palcos

Grandes shows também acontecem no Teatro Municipal, onde artistas como Luiz Melodia relêem importantes obras. O cantor revisa o antológico 'Pérola Negra', de 1973, com canções de samba e soul, como 'Estácio, Holly Estácio' e a faixa-título. Seguindo a linha saudosista, o carioca Egberto Gismonti e o pernambucano Naná Vasconcelos revivem, também no Municipal, às 21h, o encontro histórico de 1977, quando gravaram, em três dias, o álbum 'A Dança das Cabeças'. Outros dois destaques deste palco devem ser os encontros de Hamilton de Holanda e Danilo Brito (9h) e Fabiana Cozza, Jair Rodrigues e Zimbo Trio, que encerram, às 18h, com músicas do 'O Fino da Bossa'.

Boa novidade deste ano é a forte presença da música instrumental, com um palco específico para o gênero no Vale do Anhangabaú. Os músicos se revezam em apresentações de 15 minutos. Entre eles, Bocato, André Marques e Filó Machado. O Palco das Meninas (Av. Ipiranga com a Rua Araújo) deve ser garantia de bom público, com shows de Mariana Aydar (18h), Marina de la Riva (22h), Clara Morena (4h), a adolescente folk Mallu Magalhães (11h) e Fernanda Takai, que apresenta o belo show do disco 'Onde Brilhem os Olhos Seus' com músicas consagradas na voz de Nara Leão.

No Largo Santa Ifigênia, a Virada simula um clima de boteco para abrigar nomes de peso do samba, como Dona Ivone Lara (18h, do domingo), escorada pelos paulistanos do Quinteto em Branco e Preto. Já no Largo do Arouche o ambiente será propício para reviver bailes das antigas, com Antonio Carlos & Jocafi ou a extravagante Maria Alcina. O rock mais pesado tem lugar na Praça da República com as presenças de Cachorro Grande, Lobão, Andreas Kisser e Paul Di'Anno (1h), ex-vocalista do Iron Maiden - para headbanger nenhum botar defeito.

Também inédito na Virada é a presença de um palco só para a turma do hip hop, com shows de precursores do movimento, como Thaíde e DJ Hum, Black Rio e Afrika Bambaataa (17h do domingo), no Parque Dom Pedro. Mas outras vertentes culturais também integram a programação da Virada Cultural. Na Praça do Patriarca serão exibidos finalistas das últimas edições do Festival do Minuto, enquanto na Praça Ramos estarão títulos do Festival Internacional de Curtas-Metragens. Na área teatral, companhias como Os Parlapatões e Os Satyros aproveitam a Virada para encenar peças inéditas e do repertório. Mais informações no site www.viradacultural.org.

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