Justiça mandou afastar marido de procuradora horas antes do crime

O iG apurou que Djalma Veloso era agressivo com Ana Alice havia um ano; o casal já havia dado entrada no processo de separação

Denise Motta, iG Minas Gerais |

AE
Murilo Andrade, advogado da vítima Ana Alice, em frente ao condomínio onde a procuradora foi assassinada
Poucas horas antes de ser assassinada , a Justiça acatou o pedido da procuradora Ana Alice Moreira de Melo, 35, para que que o marido, o empresário Djalma Brugnara Veloso, 49, ficasse afastado da casa dos dois na Grande Belo Horizonte.

A casa fica em um condomínio de luxo em Nova Lima, Vila Alpina, na Grande Belo Horizonte. O corpo de Ana Alice foi encontrado esfaqueado no quarto, na madrugada desta quinta-feira (02) . O marido, principal suspeito, está foragido. Ele só seria notificado da decisão judicial de afastamento nesta quinta. A reportagem do iG apurou que Djalma estava tendo um comportamento agressivo com a procuradora há cerca de um ano e que ela decidiu separar-se há algumas semanas.

O despacho favorável ao marido deixar a casa saiu às 18h30 da última quarta-feira (01), cerca de dez horas antes de a procuradora ser assassinada.

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Além de agredir e ameaçar a procuradora, o empresário havia tomado da mulher um celular, dois notebooks e um pen drive com documentos pessoais e profissionais, inclusive com documentos relativos à Procuradoria Geral Federal (PGF) na capital mineira. Ana Alice atuava na procuradoria desde 2002.

"Eu pedi a devolução dos bens e o pedido foi deferido. Mas o objetivo principal dela era o afastamento dele do lar”, afirmou ao iG o advogado Murilo Andrade.

Ele é especialista em casos referentes à Lei Maria da Penha, que trata de ameaças e agressões cometidas por companheiros. A advogada Juliana Gontijo cuidava da separação. Como os processos correm em segredo de Justiça, os advogados não podem fornecer detalhes da rotina do casal.

Divulgação e Reprodução
O casal Djalma Veloso e Ana Alice de Melo. Ela foi encontrada morta nesta madrugada

Histórico de separação

No último dia 24, ela prestou queixa em uma delegacia contra o marido. No dia seguinte, o juiz Juarez Morais de Azevedo deferiu algumas medidas chamadas protetivas e previstas pela Lei Maria da Penha.

As medidas concedidas foram pedidas pela delegada Renata Fagundes, responsável pela investigação do crime. Conforme informações da assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça, a delegada não detalhou seus pedidos, apenas destacou a situação de ameaça e agressão.

Entre as medidas, estava uma que determinava que Djalma ficasse afastado de Ana Alice por 30 metros de distância. Outra medida era a de que Djalma não poderia manter qualquer tipo de comunicação com a mulher e os filhos. Uma terceira medida referia-se ao fato de que o empresário e a procuradora não poderiam frequentar o mesmo ambiente público.

O juiz, entretanto, não teria determinou que o agressor saísse de casa. O advogado da procuradora entrou, então, com o pedido de afastamento do marido.

“O juiz marcou uma audiência, para o próximo dia 15, com a vítima e o agressor no mesmo dia. Pedi para mudar e ele manteve. Como no momento que a vítima vai fazer representação não haveria possibilidade de ela ser coagida pelo agressor? Isso é um absurdo”, reclama o advogado de Maria Alice.

Ele também lembra que a mãe de Brugnara é vizinha “de muro” da residência do casal. “Se a medida de afastamento tivesse sido concedida antes, ele sequer poderia entrar no condomínio”, destaca. Andrade disse acreditar que o empresário deve se entregar nas próximas horas. “Ele assassinou uma procuradora federal. As policias Civil e Federal já têm em mãos mandado de prisão contra ele”, frisou.

O iG tentou entrar em contato com o juiz Juarez Moraes de Azevedo para tentar entender como Maria Alice e Djalma manteriam distância de 30 metros morando na mesma casa. Em audiência, o juiz não pode atender a reportagem e a assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça informou que cada caso é analisado separadamente e que provavelmente a situação não foi analisada como grave naquele momento.

O advogado de Djalma, Guilherme Colen, esteve no final da tarde desta quinta na delegacia de Nova Lima, onde uma empregada da procuradora prestou depoimento. Sob alegação de que não sabe onde está o empresário e que a família dele está muito abalada com a situação, ele não quis dar detalhes sobre o caso aos repórteres.

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