BERLIM ¿ As bandas mais lendárias do rock da antiga Alemanha Oriental, dos Puhdys ao Renft, ressuscitaram com fúria na entrada de 2009, em coincidência ao 20º aniversário da Queda do Muro, que se aproxima, e dispostos a demonstrar que são tão incombustíveis como os Rolling Stones.

Dieter "Maschine" Birr, de 64 anos e alma dos Pudhys, encheu até abarrotar o moderno pavilhão 02World para celebrar diante de 15 mil fãs totalmente entregues o 40º aniversário de banda que foi a mais famosa da Alemanha Oriental.

O grupo nasceu em novembro de 1969, motivo pelo qual seu aniversário real coincidirá com o da queda do Muro, em 3 de novembro de 1989.

No entanto, os Puhdys transformarão todo 2009 em uma festa contínua, que abriram no primeiro dia de janeiro com o concerto e prolongarão com uma turnê por todo o país para promover seu 30º álbum.

O lugar escolhido lhes serviu como um anel ao dedo: o 02World foi inaugurado há pouco meses, diante da East Side Gallery, o trecho mais longo em que o Muro fica de pé, com 1,3 quilômetros infestados de grafite, incluído o célebre "beijo a parafuso" entre o manda-chuva da antiga Alemanha Oriental, Erich Honecker e o soviético Leonid Bresnev.

No ginásio polivalente, usado tanto em jogos de hóquei no gelo quanto em shows de rock ou em concertos de música clássica, agitaram-se algumas bandeiras da Alemanha Oriental e o auditório era uma mistura entre cidadãos do antigo território do leste germânico e de novas gerações.

Os Puhdys se dissolveram em 1989 para retornar três anos depois, notando uma forte procura pelo "rock do Leste".

Dezessete anos depois seguem por aí, como representantes de uma "Ostalgia" -trocadilho para "nostalgia do Leste"- apolítica e ligada aos sinais de identidade da dissolvida Alemanha Oriental.

Enquanto a "Máquina" Birr tocava seu rock algo jurássico, em uma versão local do vigor dos Stones e sem necessidade de passar por renovação, em outro lugar da cidade ressuscitou também esta semana a banda "Renft".

Trata-se de um grupo que em seus tempos praticou o rock "anti-sistema", em versão alemã oriental, e que reapareceu por ocasião do 50º aniversário de seu líder e fundador, Klaus Renft.

O homenageado, junto ao cantor Thomas "Monster" Schoppe, de 63 anos, tocou na mesma cervejaria abarrotada em que instalaram seu palco junto a outros ex-correligionários de luta, neste caso do oeste do país, "Tom Steine Scherben".

A reaparição do grupo se tinha anunciado como uma "cúpula subversiva", já que tanto Renft como "Tom Steine Scherben" -"Tom Pedras Pedaços"- causaram em seus tempos furor nos ambientes da esquerda radical.

A música mais conhecida dos de "Tom" é "Macht kaputt, was euch kaputt macht" -"Destroçai o que lhes destroça"-, considerada o hino não-oficial da esquerda radical e da dissolvida organização terrorista Fração do Exército Vermelho (RAF).

O concerto, ao qual assistiram cerca de 700 pessoas, contou com convidados como o ex-chantagista de armazéns comerciais Arnold Funke, conhecido como Dagobert, que no início dos anos 90 pôs em xeque a Polícia alemã com engenhosas operações de extorsão e cobranças de recompensa, até cair em uma emboscada policial.

O concerto dos Puhdys terminou entre milhares de velas acesas, com muita emoção e alguma lágrima nostálgica, enquanto o dos colegas subversivos foi encerrado sem contemplações pela Polícia , a pedido da vizinhança queixosa pela explosão de decibéis da banda.

(Reportagem de Gemma Casadevall)

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.