Vilarejo baiano mistura beleza e aventura Por Mônica Cardoso* Mata de São João (BA), 14 (AE) - Sol e mar são os atributos que primeiro chamam a atenção na Praia do Forte. Mas só serão sinônimo de malemolência em uma rede preguiçosa e canga esticada na areia se você quiser.

Em meio a toda a beleza natural que se espera do litoral baiano, este vilarejo do município de Mata de São João, 90 quilômetros ao norte de Salvador, está cercado por opções de atividades de aventura.

Braços e pernas serão exigidos em alguns passeios, é verdade. Mas compensações vêm na forma de mergulhos em águas límpidas, momentos de contemplação em paisagens isoladas e até uma visita ao que restou do único castelo medieval das Américas.

Seguindo pela Linha Verde, rodovia que liga o litoral norte da Bahia ao Sergipe, são 10 quilômetros desde a Praia do Forte até a Reserva Imbassaí, onde se faz o passeio de canoa canadense pelo rio de mesmo nome. É preciso sacolejar por 6 quilômetros em uma estrada de areia e cascas de coco (o que evita de os jipes ficarem atolados), em meio a cactos, piaçabas e maçarandubas para chegar até este refúgio.

O ponto de partida da remada é a Vila do Diogo. O percurso começa estreito, com muitas curvas e bancos de areia nos quais a canoa chega a encalhar. Em seguida, as margens se alargam e fica mais fácil remar. A água transparente permite ver as raízes compridas dos aguapés. Uma hora depois chega-se à praia deserta que, de tão isolada entre dunas e uma fileira de imponentes coqueiros, nem nome oficial tem (por ali, é conhecida como Santo Antônio).

A profusão de tons de azul do céu se confunde com o mar, de água limpíssima e morna. A areia está cheia de ninhos de tartarugas. Nas manhãs de verão, bem cedo, é possível ver filhotes correndo em direção ao mar.

Os poucos quiosques são rústicos, feitos de madeira, bambu e palha. Em um deles, o pescador Francisco Vieira de Oliveira, o Chico, recebe turistas com seu violão surrado. Pausa para uma porção de camarão (R$ 30) e uma água de coco (R$ 2).

Mais uma curta caminhada pelas dunas e você está em outro vilarejo, o de Santo Antônio, para conhecer o artesanato feito pelas descendentes de índios tupinambás. Com mãos ágeis, Jerusa dos Santos Mendes, de 33 anos, vai trançando tiras de palha de coqueiro e piaçaba, que se transformam em bolsas - algumas vendidas até na Inglaterra. "Aqui todas as mulheres sabem fazer. Aprendi aos 12 anos e já ensinei às minhas filhas", diz. A bolsa pequena sai por R$ 10 e a média, por R$ 30.

TIROLESA
Outra reserva natural na região, a Sapiranga, permite viver momentos de aventura por terra, água e ar. Para começar, você segue durante 20 minutos por uma trilha cercada de mata atlântica e aproveita para observar espécies da vegetação nativa, como pau-brasil e biribá, cuja madeira é usada para fazer os arcos do berimbau. Micos-estrela vivem nas copas das árvores.

Um barco a motor cruza o Rio Pojuca até o parque privativo Oka Porang, com opções de ecoturismo. Ali, é possível remar em uma canoa havaiana (R$ 82) e, depois, acelerar os batimentos cardíacos nas duas tirolesas de 16 metros de altura cada. A descida termina em um mergulho nas águas mornas.

Outra opção é começar com as tirolesas e terminar o dia em um passeio de barco, sem esforço, pelo rio - que fica ainda melhor no fim da tarde, quando é possível sentir o vento no rosto e ver o belo pôr do sol. Garantia de boas fotos.

Nas margens, pescadores pegam caranguejos no manguezal. A embarcação chega até a Praia de Itacimirim, onde o Rio Pojuca encontra o mar. Foi lá que, em 1984, o navegador Amyr Klink aportou depois de cruzar o Oceano Atlântico em uma viagem de 100 dias.

PISCINAS NATURAIS
Quando bater a vontade de relaxar, siga para as piscinas naturais da Praia do Forte. São necessários 20 minutos de caminhada entre as pedras para ir às mais famosas: a do Aquário, com 1 metro de profundidade na maré baixa, a do Lord, com 2 metros, e a do Papa-Gente, a mais funda, com até 6 metros.

Bastam máscara e snorkel para observar, entre os recifes de corais, crustáceos, algas, polvos, lagostas e peixes como o sargentinho e o palhaço. E também a moreia, cujo corpo cilíndrico lembra o de uma serpente - inofensiva, no entanto.

SERVIÇO
Bahia Adventure: (0--71) 3626-2720. Passeio à Reserva Imbassaí: R$ 98. Tour na Reserva Sapiranga: R$ 106
Portomar: (0--71) 3676-0101. Snorkeling nas piscinas naturais: R$ 60

*A repórter viajou a convite da Turisforte e do Sebrae Bahia

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