Vídeos e inquérito desmentem versão de Arruda

BRASÍLIA - Os vídeos e o inquérito da Operação Caixa de Pandora desmentem a versão apresentada pelo governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), de que os ¿recursos eventualmente recebidos¿ do ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa foram repassados entre os anos de 2004 e 2006 para fins eleitorais. Em nota oficial divulgada nesta segunda-feira, Arruda diz que todo o dinheiro foi ¿registrado ou contabilizado¿, assim como os demais itens da campanha.

Lucas Ferraz, iG Brasília |


Mas as gravações feitas pelo próprio Durval, divulgadas pelo iG em primeira mão, e o inquérito da operação revelam que o suposto esquema de corrupção ainda estava em operação pela cúpula do governo do DF. Luiz França, subsecretário de Justiça e Cidadania do governo, foi flagrado recebendo dinheiro em uma sala onde havia uma foto do governador, indicativo de que a gestão de José Roberto Arruda já havia começado.

Reprodução
Luiz França, subsecretário de Justiça e Cidadania do governo, é flagrado recebendo propina
Luiz França, subsecretário de Justiça e Cidadania, negocia suposta propina

Reprodução
Luiz França recolhe dinheiro durante a reunião
Luiz França recolhe dinheiro durante uma reunião em sala com foto de Arruda


Em interceptação ambiental realizada no dia 21 de outubro, autorizada pela Justiça e descrita no inquérito, Durval Barbosa conversa com Arruda, que pede o direcionamento de R$ 400 mil para pagamento da base aliada.

Há ainda um segundo vídeo, gravado entre maio e julho deste ano, que mostra o empresário Gilberto Lucena, dono da Linknet ¿ uma das empresas que atuava no esquema --, tratando com Durval sobre a partilha de propina para o governador, o vice Paulo Octávio e outros dois membros do Executivo.

Segundo a PF, o financiamento ilegal da campanha de José Roberto Arruda foi montado em 2004 e operou até 2006, ano em que ele foi eleito. Nesse período, segundo o inquérito, ocorreram pagamentos de R$ 56,5 milhões. Mas o esquema continuou após o pleito com o suposto pagamento de mesadas para deputados distritais e líderes que garantiam a sustentação política do governo.

Houve ainda, segundo a investigação, repasse de recursos públicos desviados para a cúpula do governo. Os indícios colhidos pela Polícia Federal são de que a organização criminosa investigada continua a atuar, afirma o inquérito da Caixa de Pandora.

Escândalo no Distrito Federal

Entenda

Inquérito da PF

Vídeos

Leia também:

Crise de 2001

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG