Rio de Janeiro - O vice-presidente da Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Atividades Nucleares (Abdan), Ronaldo Fabrício, descartou o argumento defendido por alguns ambientalistas de que a energia nuclear tem custo elevado. Em entrevista à Agência Brasil, ele afirmou que não se pode tomar como exemplo, no caso da Usina Nuclear Angra 3, as usinas anteriores de Angra 1 e 2, porque ¿elas foram construídas numa época em que você não tinha recursos para tocar o cronograma original¿.

  • Greenpeace reafirma posição contrária à energia de fonte nuclear
  • Ibama dará parecer sobre Angra 3 até o fim de maio
  • Ministério Público quer complementação do estudo de impacto ambiental de Angra 3
  • Ele explicou que todas as usinas hidrelétricas e térmicas construídas antigamente no Brasil  tinham três fontes de recursos: a tarifa na empresa, empréstimo compulsório da Eletrobrás e empréstimos do Banco Mundial (Bird) e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Com esses recursos, nós fizemos todas as usinas a tempo e à hora, a preço absolutamente previsto, disse Fabrício.


    No final dos anos 80 e início da década de 90, as tarifas das empresas foram congeladas em razão da inflação alta. Além disso, a Constituição de 1988 proibiu os empréstimos compulsórios e a moratória decretada pelo ex-presidente José Sarney teria posto fim aos financiamentos do BID e do Bird, afirmou Ronaldo Fabrício. O que aconteceu foi que da década de 90 para cá, todos os empreendimentos, e não só Angra 1 e 2, que iam ser feitos em quatro ou cinco anos,   levaram 15 anos para ser feitos. E o custo foi astronômico.

    Segundo o vice-presidente da Abdan, por essa razão, o custo de energia de Angra 2 ao longo de 20 anos não é uma maneira correta de aferir o preço de uma usina nuclear.

    Fabrício reconheceu que Angra 3 vai adicionar uma parcela pequena de energia (1%) à matriz brasileira, mas observou que os 1.350 megawatts (MW) que vão ser ser introduzidos quando a usina entrar em operação têm 95% disponibilizados. Essa energia pode ser usada em 90% do ano. Essa energia equivale a uma hidrelétrica de 2.500 MW, porque a hidrelétrica gera 50% de disponibilidade, porque ela gera na época molhada e na época seca  ela não tem a mesma potência. Acrescentou que a usina eólica [gerada pelo vento] tem entre 30% e 35% de disponibilidade. Portanto, uma usina como Angra 3 equivaleria a 4 mil MW de uma de energia eólica.

    O vice-presidente da Abdan manifestou-se, contudo, favorável à construção de usinas de todas as fontes de energia no Brasil.  Nós precisamos de energia de todas as fontes.  Precisamos eólica, solar, nuclear, hidromassa, hidrelétrica. Não tem sentido  ficar se batendo contra um determinado tipo de energia porque, se fosse assim tão ruim, não estava sendo adotado  abundantemente na China, na Índia, no Japão.


    Ele disse que em todo o mundo, onde tem gás e energia nuclear,  quando o gás sobe de preço mais  de US$ 7,00 por milhão de BTUs [British Termal Unit, medida de energia], o custo do megawatt/hora (MWh) é inferior ao do gás. Nós temos que aceitar todas as formas. O que não pode faltar é energia.

    Para Ronaldo Fabrício, argumentos contrários à energia nuclear, como os Organização Não Governamental ()NG) ambientalista Greenpeace, não têm a mínima sustância. O argumento do Greenpeace é ideológico, afirmou. Referiu-se em especial à questão do lixo radioativo, lembrando que os rejeitos da área nuclear  são os únicos que têm nome, endereço e CPF. A pessoa sabe onde está, monitora, enterra e controla ao longo de não sei quantos anos. Os rejeitos das outras usinas  químicas, térmicas, vão para o ar, para o mar, para a água. E ninguém controla.

    Ele lembrou que  a geração de energia a partir da fonte nuclear é uma das mais  limpas para o meio ambiente. É uma das únicas fontes térmicas que não produzem CO2 (gás carbônico), que é o grande vilão do aquecimento global, disse o vice-presidente da Abdan. Na sua opinião, para reduzir o problema do aquecimento global, não existe atualmente outra alternativa senão a energia nuclear.

    A expectativa de Fabrício é de que após as audiências públicas realizadas na última semana pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama),  deverá ser concedida a licença ambiental para a construção de Angra 3. Para ele, as audiências são positivas na medida em que servem para  mostrar à população que a energia nuclear não é perigosa, é econômica e não polui. "A audiência pública é um excelente instrumento para que a população tome contato com a realidade.

    Leia mais sobre: Angra 3

      Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.