A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) encerra sua fase de tomada de depoimentos amanhã sem ouvir o vice-governador do Rio Grande do Sul, Paulo Afonso Feijó (DEM), e o presidente do Tribunal de Contas do Estado, João Luiz Vargas. Os dois foram convidados para comparecer espontaneamente, mas não enviaram resposta ao presidente da comissão, Fabiano Pereira.

Feijó disse à imprensa que não vai depor porque não tem informações a dar aos deputados.

O vice-governador provocou um terremoto político no Rio Grande do Sul ao divulgar uma gravação na qual o chefe da Casa Civil, Cézar Busatto (PPS), dizia que os partidos se financiam de órgãos públicos. O alvo de suas denúncias, no entanto, nunca foi o Detran, mas o Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul), pela contratação, sem licitação, da Fundação de Apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Faurgs). O banco já se comprometeu a substituir o contrato.

Vargas ficará em silêncio até o final de um procedimento prévio de investigação de sua conduta aberto pelo próprio tribunal. Ele é amigo do empresário José Fernandes e pai de Eduardo Vargas, réus de um processo aberto após a descoberta de uma fraude de R$ 44 milhões no Detran, praticada por empresas que superfaturavam seus serviços ou cobravam por serviços não prestados.

Na CPI, a oposição tenta encontrar ramificações políticas do esquema. Baseados em conversas gravadas pela Polícia Federal, deputados do PT querem mostrar que o governo do Estado foi informado do esquema e não agiu. O chefe do escritório do Rio Grande do Sul em Brasília, Marcelo Cavalcante, está convocado para depor amanhã. Ele responderá sobre uma carta que recebeu do empresário Lair Ferst, que se dizia pressionado por pessoas corruptas. Em entrevistas, Cavalcante explicou que não encaminhou o caso para os órgãos competentes porque Ferst não apresentou provas.

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