Viagem de Lula à China irá além do comércio

Por Lucy Hornby PEQUIM (Reuters) - A visita que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fará no mês que vem à China buscará resolver entraves comerciais e marcará o lançamento de uma iniciativa conjunta de satélites sobre a África, num momento em que Brasília e Pequim buscam ampliar sua aliança para além do comércio.

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Lula visitará Pequim em meados de maio, pela segunda vez em seu governo. O Brasil espera que a viagem amplie as relações e leve a investimentos significativos dos chineses no país, além de mais exportações de produtos industrializados brasileiros, e não só de matérias-primas.

O comércio bilateral disparou desde a primeira visita de Lula, em 2004. A China é atualmente o segundo maior parceiro comercial do Brasil, de onde compra principalmente soja e minério de ferro, vendendo todo tipo de produto industrializado. As relações comerciais se mantiveram sólidas apesar da crise global atual.

"Na atual situação, os países desenvolvidos estão num período de crescimento lento, então há muito potencial para cooperação entre dois países que estão seguros de continuar crescendo", disse à Reuters o embaixador brasileiro na China, Clodoaldo Hugueney.

Os brasileiros esperam fechar um acordo que facilite o trâmite das exportações do país pela alfândega e pelas regras de quarentena chinesas, disseram negociadores comerciais e representantes empresariais na noite de quinta-feira.

Além do comércio, há também uma convergência de interesses globais entre Brasil e China, dois grandes países em desenvolvimento com economias complementares, sem fronteiras a disputar e com um interesse comum na abertura de instituições multilaterais que tendem a ser controladas pelos países mais ricos.

Brasil e China são integrantes do G5, grupo de grandes países em desenvolvimento que nos últimos dois anos estão cada vez mais relutantes em subscrever metas ambientais e de outros âmbitos estabelecidas pelo G8 (bloco de países ricos).

"Nossas preocupações são muito similares com relação à arquitetura do sistema financeiro internacional", disse Hugueney.

Os dois países também dizem ter um interesse comum na África --a China por precisar dos minérios e do petróleo do continente; o Brasil por causa da sua experiência com produção de petróleo e mineração.

Um projeto sino-brasileiro de satélites será ampliado para fornecer a países africanos dados e imagens necessários para monitorar o desmatamento, as lavouras e outros itens do desenvolvimento, segundo o embaixador brasileiro.

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