Via Campesina e MST realizam protestos em pelo menos seis Estados

SÃO PAULO - Trabalhadores rurais ligados ao movimento Via Campesina e ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) promovem protestos e ocupações em pelo menos seis Estados brasileiros nesta terça-feira. Os protestos fazem parte de uma programação nacional denominada de jornada de lutas da Via Campesina e da Assembléia Popular, que protestam contra o modelo econômico neoliberal e as ações das empresas transnacionais no campo da energia e da agricultura.

Redação com agências |

AE
Manifestantes bloqueiam linha de trem
Em Minas Gerais, os manifestantes bloquearam a linha férrea da mineradora Vale do Rio Doce, na altura do bairro São Geraldo, em Belo Horizonte (MG). De acordo com os organizadores, cerca de 500 pessoas permaneceram em pé nos trilhos de 7 horas às 12 horas.

Os manifestantes exigiram a transposição imediata da linha e a indenização das famílias das pessoas que morreram na ferrovia. De acordo com a Via Campesina, os bairros São Geraldo, Caetano Furkim, Boa Vista, Casa Branca e Vila Mariana de Abreu pedem a transposição da linha há 25 anos. Segundo eles, o trem fecha a passagem de veículos por duas horas, prejudicando o transporte de doentes, e também danifica a estrutura das casas e da escola da região.

Na capital paulista, cerca de 500 trabalhadores rurais invadiram o prédio do Grupo Votorantim, no centro da cidade, para denunciar os impactos ambientais da construção da barragem de Tijuco Alto, no Rio Ribeira de Iguape, que corta os Estados de São Paulo e Paraná. Eles foram retirados do prédio, após 40 minutos de ocupação, pela Policia Militar que entrou no prédio, retirando os membros da Via Campesina, com bombas de gás e tiros de bala de borracha.

No Pontal do Paranapanema, interior de São Paulo, cerca de 500 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) invadiram as obras de construção de uma usina de açúcar e de álcool do grupo Odebrecht. Os manifestantes obrigaram os trabalhadores da empresa a se retirarem e montaram barracos na área. Ele pretendem permanecer no local por tempo indeterminado.

No Rio Grande do Sul, a gigante de alimentos Bunge suspendeu a produção em sua unidade de Passo Fundo em razão da manifestação da Via Campesina no local, que foi invadido na manhã desta terça-feira. Na unidade, a Bunge processa soja e produz óleo refinado. Em nota, a companhia disse que acionou autoridades para proteger funcionários que estavam no local e os próprios manifestantes.

"A Bunge, juntamente com as autoridades policiais, está orientando os invasores quanto aos riscos existentes nas áreas produtivas e buscando identificar o motivo da manifestação", diz o comunicado. Conforme a Via Campesina, a Brigada Militar usou balas de borracha esta manhã quando um grupo abriu os portões da Bunge na tentativa de entrar com um caminhão de alimentos para os manifestantes. A Via Campesina afirma que cinco pessoas ficaram feridas. Na nota, a Bunge diz que "repudia qualquer tipo de violência contra as pessoas e as instalações da empresa".

Na divisa entre Rio Grande do Sul e Santa Catarina, cerca de 300 trabalhadores rurais invadiram, na manhã desta terça-feira, as instalações da Usina Hidrelétrica de Itá. A usina pertence à transnacional franco-belga Suez-Tractebel, a maior empresa estrangeira de geração de energia no Brasil, com 13 usinas (6 hidrelétricas e 7 termelétricas).

Segundo dados da própria empresa, em 2007, o lucro líquido foi de R$ 1,05 bilhão, 6,8% acima do lucro obtido em 2006. Segundo lideranças do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), para que a Suez tenha um lucro alto, os brasileiros pagam muito caro pela tarifa de energia elétrica. O objetivo dessa transnacional é se apropriar dos nossos recursos naturais e da nossa energia, transformar em mercadoria e vender por muito caro.

Nordeste

Em Recife, cerca de 100 pessoas ligadas à Via Campesina invadiram a Estação Experimental de Cana-de-Açúcar de Carpina, na zona da mata norte, a cerca de 60 quilômetros do Recife. A estação, que faz pesquisas, é ligada à Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).

De acordo com o coordenador da estação, Djalma Euzébio Simões Neto, os manifestantes chegaram em dois ônibus e carros passeio, renderam o vigia verbalmente e depredaram o que havia dentro das estufas, casas de vegetação e parte do que havia em campo. Em seguida, foram embora. O laboratório da estação não foi invadido.

De acordo com o coordenador, o prejuízo financeiro e econômico é pequeno. Grande é o prejuízo científico. Experimentos que estavam sendo conduzidos em várias linhas e atendiam a programas de pós-graduação foram destruídos. A Estação não trabalha com transgênicos - que são condenados pela Via Campesina.

Na Paraíba, mais de 200 trabalhadores rurais da Via Campesina, ocuparam a Fazenda Nossa Senhora de Lourdes localizada a 5km da cidade de Mari ,propriedade de Carlos Ribeiro Coutinho durante a madrugada. Essa fazenda possui 1100 hectares todo tomado pela cana, e é arrendada a Usina Jacungu.

No Ceará, cerca de mil trabalhadores rurais ocupam, desde às 5h o Porto do Pecém, em São Gonçalo do Amarante, Região Metropolitana do Ceará. A ocupação paralisou as áreas de carga e descarga do terminal. Os manifestantes protestam contra o projeto de instalação de cinco termoelétricas, uma refinaria e uma siderúrgica do complexo, que, segundo a Via Campesina, irão causar imensos danos ambientais e sociais.

Além disso, os trabalhadores protestam contra a alta dos preços dos alimentos, a transposição do Rio São Francisco e instalação de uma refinaria da Petrobras. A construção afetará a bacia hidrográfica da região, consumindo um volume de água será equivalente ao consumo de uma cidade de 30 mil habitantes.

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