Veteranos abrem semana de moda de Londres de olho em compradores

Por Clara Ferreira-Marques LONDRES (Reuters) - Dois estilistas veteranos de Londres abriram a semana de moda na capital britânica nesta sexta-feira, de olho nos compradores de moda, ainda cautelosos, aos quais propuseram uma visão inovadora do tweed clássico, mas também um toque de glamour, com brocados e lamê dourado.

Reuters |

Intercalada entre Nova York e Milão no calendário do mundo da moda, a semana de moda de Londres é conhecida principalmente por servir de vitrine dos talentos e tendências de vanguarda, misturando nomes ainda principiantes mas em alta, como Erdem, com estilistas que já são ícones, como Vivienne Westwood.

A cidade espera conservar essa reputação nesta temporada, com uma série de iniciativas para ajudar a lançar nomes novos e por tornar-se a primeira das quatro grandes cidades da moda a oferecer uma programação digital paralela e transmitir muitos de seus desfiles ao vivo na Internet.

O mundo da moda vem tendo que enfrentar o impacto da revolução digital, na medida em que blogueiros - desde o Sartorialist, do fotógrafo de rua Scott Schuman, até Tavi Gevinson, de apenas 13 anos de idade - vêm democratizando a opinião sobre moda, enquanto a Internet leva imagens instantâneas das passarelas às massas.

Mas, como fez Nova York, Londres também está tomando cuidado para atender aos gostos conservadores entre os compradores - aqueles que escolhem as coleções que serão vendidas nas grandes lojas e que, portanto, determinam tendências -, ainda hesitantes em assumir riscos demais, no momento em que a Grã-Bretanha e o mundo emergem da pior crise econômica em décadas.

Para Marigay McKee, diretora de moda e beleza da loja de departamentos londrina Harrods, o objetivo é encontrar peças clássicas, que sirvam como investimento e se destaquem pela qualidade e longevidade.

Paul Costelloe, que expõe suas criações em Londres há 15 anos, optou por tons de terra no primeiro desfile da sexta-feira, inspirado no inverno de Montana. Ele exibiu muitos casacos esculturais que agradarão comercialmente, mas também o uso inovador do tweed que é sua marca registrada, em saias com armação usadas com blusas fluidas e transparentes, saltos plataforma e leggings colados à pele.

Caroline Charles, que começou sua carreira com Mary Quant e vestiu várias celebridades dos anos 1960, ofereceu roupas de inverno de tom divertido, inspiradas nos anos 1960, com saias e terninhos curtos de tweed que devem agradar a suas clientes fiéis.

Ambos também exibiram peças próprias para o tapete vermelho, iluminando suas coleções de outono/inverno com lamê dourado e prateado, paetês e brocados, no caso de Costelloe, e vestidos de noite com contas, vestidos de coquetel de renda em estilo Audrey Hepburn, luvas até os cotovelos e detalhes em tule, no caso de Caroline Charles.

A Semana de Moda de Londres ganhará ímpeto no fim de semana, com desfiles de Matthew Williamson e Julien Macdonald, seguidos por Marios Schwab, Erdem - cujas criações vestem a primeira-dama dos EUA, Michelle Obama - e vários outros até a próxima quarta-feira, quando os fashionistas se deslocam para Milão.

O estilista Alexander McQueen, que suicidou-se na semana passada, foi homenageado na sexta-feira com um minuto de silêncio e um mural memorial ao lado do espaço principal das passarelas.

(Reportagem adicional de Mirja Spernal)

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