¿Não tem nada de inclusão social", afirma o parlamentar petista, e gremista, Adeli Sell. ONG do craque nega irregularidades

Depois da negociação frustrada com o Grêmio e com o Palmeiras, mais uma polêmica envolve o craque Ronaldinho Gaúcho e seu irmão e empresário Roberto de Assis Moreira. Vereadores de Porto Alegre querem informações sobre o uso de recursos públicos destinados a uma instituição mantida pela família do jogador na zona sul da capital gaúcha.

AE
Assis e Ronaldinho Gaúcho, durante entrevista no Rio. Eles mantêm uma ONG em Porto Alegre
A Prefeitura de Porto Alegre deve encerrar formalmente nesta semana o convênio com o Instituto Ronaldinho Gaúcho (IRG), que oferece atividades extracurriculares a cerca de 700 crianças e adolescentes de oito escolas da zona sul da cidade. O motivo foi o pedido de reajuste de 164% no repasse anual, dos atuais R$ 2.062 por criança para R$ 5.285. Em 2010, a prefeitura municipal destinou cerca de R$ 1,4 milhão à instituição.

O valor, o mais alto entre as entidades conveniadas com a Secretaria Municipal de Educação (Smed), é justificado pelo fato de o IRG oferecer transporte aos alunos. Mesmo assim, os números chamaram a atenção dos vereadores e da prefeitura. Pelo menos três vereadores da capital gaúcha trabalham para buscar mais informações e não descartam ingressar com ações no Ministério Público.

 “O interesse é meramente econômico, não tem nada de inclusão social. É uma vergonha. Outras instituições, com menos dinheiro, cuidam de mais pessoas”, dispara o vereador Adeli Sell (PT), que ao lado dos colegas Mauro Pinheiro (PT) e DJ Cassiá (PTB) pretende investigar o destino dos recursos.

O vereador, que no seu Twitter vem chamando Ronaldinho e Assis de “mercenários”, questiona também o repasse de mais de R$ 2 milhões do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci) do Ministério da Justiça em 2007. Torcedor do Grêmio, Adeli Sell nega “perseguição” ao jogador, que driblou o clube gaúcho e acertou com o Flamengo, e diz que já em 2009 alertava para os altos repasses.

E não está sozinho. Nesta semana, o advogado Leudo Costa promete ingressar com ação popular na Justiça Estadual para questionar os convênios e o destino dos recursos públicos para o que considera não uma instituição de assistência social, mas “um negócio da família Assis Moreira”.

“Estamos tranquilos”

Presidente da entidade, criada em dezembro de 2006, o empresário Roberto de Assis Moreira não vem falando sobre o assunto. Em reunião no dia 2 de dezembro, porém, havia indicado que o convênio prosseguiria. “Se não tivéssemos interesse na parceria, seríamos sinceros e diríamos isso”, afirmou na ocasião. Dias antes, a entidade havia enviado ofício manifestando interesse no fim do contrato.

A coordenadora-geral da instituição, Magela Lindner, garante que as prestações de conta estão em dia. “Estamos tranquilos. As prestações de conta foram feitas pelo instituto e aprovadas pela prefeitura. O objeto dos convênios foi realizado sempre mais do que o estava previsto, e com qualidade”, afirma.

Segundo a coordenadora, com os recursos do Pronasci o IRG atendeu cerca de 2,7 mil crianças e adolescentes. “O convênio atendeu aos preceitos legais e as prestações de conta foram feitas”, sustenta.

A decisão de encerrar o convênio com a Prefeitura de Porto Alegre já havia sido comunicada em novembro de 2010. Os custos com obrigações trabalhistas de funcionários, que deveriam ficar a cargo da prefeitura, estavam entre os motivos do pedido de aumento no repasse. A entidade, que realiza trabalho social também na Bahia, em parceria com o governo estadual, não irá fechar suas portas.

A Secretaria Municipal de Educação (Smed) espera encerrar formalmente nesta semana o convênio com o IRG. A secretária Cleci Jurach diz que não obteve mais respostas da direão da entidade após a reunião de 2 de dezembro. “Ficamos surpresos, porque o próprio Assis manifestou interesse na manutenção do convênio”, destaca.

A Smed pretende agora firmar parceria com outra instituição para manter as atividades fora do turno escolar para as crianças. A família Assis Moreira possui negócios na zona sul da cidade, como uma casa de shows e até mesmo um clube de futebol, o Porto Alegre FC, que disputa a primeira divisão do Campeonato Gaúcho.

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