A Câmara de Igarapava, na região de Ribeirão Preto (SP), cassou os mandados de cinco vereadores acusados de exigirem um mensalinho de R$ 5 mil mensais cada (passando depois para R$ 7 mil/mês) ao prefeito Francisco Tadeu Molina (PSDB), para aprovarem projetos no Legislativo. A sessão extraordinária terminou na madrugada de hoje e teve votação unânime de 7 votos a zero.

A cidade tem nove vereadores e, em 18 de março, cinco deles foram presos, incluindo o então presidente do Legislativo, Alan Kardec de Mendonça (PSDB), detido no setor de arquivos da prefeitura no dia seguinte à prisão dos quatro colegas. Os outros presos e agora cassados são: José Eurípedes de Souza (PT), o ex-prefeito Sérgio Augusto de Freitas (PP), José Laudemiro Alves (DEM) e Roberto Silveira (PSDB). Freitas também é acusado de ser um dos mandantes do assassinato do prefeito Gilberto Soares dos Santos, o Giriri, em 1998 - ele era vice-prefeito na época e assumiu a prefeitura após a morte de Giriri.

Os acusados não compareceram à sessão na Câmara, e o advogado do grupo tentou cancelar a votação, sem sucesso. Os vereadores deverão recorrer dessa decisão, pedindo a nulidade do processo ao Tribunal de Justiça (TJ), de São Paulo, pois não teriam sido notificados sobre a sessão. Além disso, o prazo para a cassação venceria à meia-noite de ontem, mas a votação ocorreu só durante a madrugada de hoje.

Os cinco vereadores foram presos em março, libertados alguns dias depois e só retornaram à Câmara no início deste mês, por força de uma liminar judicial. Para o presidente da Câmara, Paulo César de Morais (PSDB), as provas contra os acusados eram evidentes, por isso não aceitou cancelar a votação.

Os então vereadores foram investigados, inclusive com escutas telefônicas autorizadas pela Justiça, durante duas semanas por promotores do Grupo de Atuação Especial para Prevenção e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), de Franca.

No dia das prisões, na casa de Souza foram apreendidos uma arma sem registro e R$ 865 mil em cheques e dinheiro. Silveira saiu da cadeia oito dias depois, e os demais apenas, em 7 de abril, após um habeas-corpus do TJ.

A Câmara convocou os suplentes e iniciou um processo de cassação dos titulares que foram presos. Além da cassação política, os acusados ainda continuam sob investigação pela Polícia Civil de Franca, respondendo por formação de quadrilha e concussão.

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