Verão favorece surgimento de inflamações nos ouvidos, diz especialista

Verão é tempo de cair na piscina e se esbaldar na praia. Pode ser bastante divertido ficar o dia inteiro dentro da água, mas é preciso ter cuidado com uma parte do corpo a qual nem sempre se dá a devida atenção: os ouvidos.

Agência Estado |

O calor e a umidade excessivos, típicos desta época do ano, favorecem o surgimento de inflamações e infecções na pele da primeira parte do ouvido, o canal externo. "No verão, normalmente come-se mal, hidrata-se mal e dorme-se mal. Isso pode levar à queda na imunidade e ao aparecimento de infecções", afirma o otorrinolaringologista Marcelo Alfredo, do Hospital Beneficência Portuguesa de Santo André.

Também conhecida como ouvido de nadador, a otite externa é causada por bactérias e fungos, que penetram na pele por meio de lesões. Resultado: dor e desconforto. Durante os meses de janeiro e fevereiro, os casos de otites externas chegam a 40% dos atendimentos em consultórios otorrinolaringológicos, enquanto no resto no ano ficam em torno de 10%, segundo Alfredo. No inverno, são mais comuns as otites médias, que acomete a segunda parte do ouvido, após o tímpano.

"O grande fator que leva à otite externa é a manipulação do ouvido", diz o otorrinolaringologista Paulo Bedê Miranda, do Instituto de Otorrinolaringologia e Fonoaudiologia (Inof). Daí a importância de resistir ao uso do cotonete: o (mau) hábito de secar os ouvidos com hastes flexíveis de algodão, depois de entrar na água, tira a proteção natural. "A cera e a gordurinha que existe na entrada do canal do ouvido servem para proteger. Se são removidas, permite-se que a sujeira entre com mais facilidade."

A entrada de água ou substâncias que irritam - como o cloro da piscina, a água do mar, sabonete ou xampu - e lesões provocadas pela limpeza do ouvido com cotonete ou outros objetos facilitam a ocorrência da infecção. Como a caixinha fica aberta durante muito tempo no armário do banheiro, os cotonetes podem estar contaminados com fungos ou bactérias e levar esses microorganismos ao ouvido.

Tratamento

Normalmente, a otite externa não leva à perda definitiva de audição. Mas, além da dor forte, em algumas vezes há piora momentânea na escuta, pois o canal do ouvido incha e o som passa com mais dificuldade. Em alguns casos, também há secreção. A doença é diagnosticada no consultório, em um exame no qual o médico vê o ouvido, que também fica avermelhado. O tratamento leva, em média, uma semana e é feito com antibiótico tópico e antiinflamatório. Em caso de a otite ser causada por fungos, são usados antifúngicos, e pode levar três semanas.

Andressa Zanandrea

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