Vento para três vezes balsa no litoral norte de São Paulo

SÃO PAULO - A travessia de balsa entre Ilhabela e São Sebastião, no litoral norte de São Paulo, teve de ser interditada três vezes neste domingo por causa de um temporal. Ventos de 61 quilômetros horários, com rajadas que chegaram a 70 km/h e arrancaram árvores em Ilhabela, foram os motivos da interdição.

Agência Estado |

De acordo com a Capitania dos Portos do Estado, as embarcações podem seguir viagem com ventos de, no máximo, 39 km/h. A partir da zero hora de hoje, uma tempestade formou-se e a velocidade dos ventos dobrou, obrigando a empresa Desenvolvimento Rodoviário S.A. (Dersa) a cumprir o que determina a Capitania dos Portos e suspender, por tempo indeterminado, a travessia.

A primeira paralisação aconteceu da zero hora às 10h30. A passagem foi, então, liberada, mas a liberação durou pouco. Uma nova ventania forçou, mais uma vez, que as cinco embarcações fossem paradas das 11h15 às 12h20. Por volta das 12h30, o serviço foi retomado e parou de novo das 14h15 às 14h35 pelo mesmo motivo.

Nas três vezes em que foram autorizadas as viagens, a Polícia Militar (PM) ajudou na organização da fila e da passagem. Foi dada prioridade aos que tinham voos marcados ou outras necessidades. A Dersa também sugeriu, com base no mau tempo, que os turistas que pudessem prorrogassem a saída para amanhã.

Mesmo assim, a espera foi grande. Foram cerca de oito quilômetros de congestionamento do lado de Ilhabela. Pelo menos 5 mil carros fariam a passagem neste domingo, se o tráfego estivesse normalizado.

O publicitário Guilherme de Matos Mitsugui e a namorada Marina Falácio tiveram de esperar 12 horas para conseguir passar de Ilhabela para São Sebastião. O casal, que voltaria para a capital paulista sábado, resolveu aproveitar o inesperado sol e prorrogar a saída para hoje. Acordaram às 3 horas e foram para a balsa acreditando ter feito um bom negócio.

"Achamos que, assim, poderíamos pegar menos trânsito. Quando chegamos, nem tinha tanta gente, mas, aí, a travessia estava parada. Mesmo assim, decidimos esperar e acabamos dormindo".

Para não perder lugar na fila, que ficou parada por dez horas, Mitsugui e Marina revezavam-se no volante e amanheceram parados no mesmo lugar. "Foram dez horas no mesmo ponto, andando, às vezes, poucos metros." Por volta das 15 horas, eles conseguiram chegar a São Sebastião para, então, seguir viagem à capital.

Casal

O casal Felipe e Laura Carvalho, de Bauru, na região central do Estado, teve mais sorte. A saída estava prevista para hoje, mas eles decidiram antecipar a volta em dois dias, principalmente por conta do mau tempo de sexta-feira.

"Como não estava sol na sexta, decidimos voltar antes e tivemos sorte", disse o bancário Felipe Carvalho.

A passagem pela balsa até São Sebastião durou cerca de uma hora e o casal seguiu viagem até Bauru, enfrentando bastante trânsito na Rodovia dos Tamoios (SP-99), que liga Caraguatatuba a São José dos Campos, no Vale do Paraíba (SP). "Mesmo assim, valeu, senão, teríamos passado horas na fila".

De acordo com o Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a formação de uma onda frontal subtropical - sistema semelhante a uma frente fria - derrubou as temperaturas e provocou ventos fortes desde Santa Catarina até o litoral paulista.

Depois de enfrentar as ininterruptas horas na travessia, os motoristas ainda tiveram de ter paciência no percurso da Rodovia SP-55, até Caraguatatuba e também, na serra, na Tamoios. Foram cerca de 32 mil automóveis subindo em direção a São Paulo, com alguns pontos de lentidão. Veículos quebrados no acostamento prejudicavam o trânsito.

Na volta de Ubatuba, o motorista também enfrentou bastante movimento, mas a viagem até Taubaté seguiu tranquila. Passaram pela rodovia até as 16 horas cerca de 8 mil carros.

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