Venezuela: peça de teatro propõe enfrentar abuso de poder

A peça Golondrina, las dos alas de un país (Andorinha, as duas asas de um país, numa tradução livre) estreia nesta quarta-feira, em Caracas, para propor ao público venezuelano a necessidade de se enfrentar o abuso de poder como única via para curar um país, que assim como as protagonistas da trama, é dividido pela política.

AFP |

"Acho que o país está dividido como as duas irmãs protagonistas, que representam interpretações distintas do abuso de poder", explicou aos jornalistas Aminta de Lara, roteirista, diretora e uma das protagonistas da peça.

"Tanto os que são a favor quanto os que são contra o governo são violados pela autoridade, embora alguns reajam com submissão e outros, não", completou.

"Golondrina" estreou originalmente em 2007, em Nova York, onde mora a autora, mas só agora, quase três anos depois, chega ao palco e público venezuelanos.

"Trazer a obra para a Venezuela era algo que sentia que tinha que fazer. É uma obrigação que tenho com a minha pátria", explicou a dramaturga, reforçando que sua proposta passa por "definir o agressor" para "poder curar".

A peça conta as diferenças de duas irmãs, filhas de um pai autoritário e abusador, e é ambientado na Venezuela de 2002, quando manifestantes contrários à gestão do presidente Chávez lotavam as ruas.

Carmen Elena, a irmã que simpatiza com o governo, chega primeiro ao apartamento de seu pai agonizante, em meio a uma Caracas conturbada pelos protestos. Claudia é a irmã opositora e mais ressentida com o pai, a quem critica por pensar que é "imortal, super-homem e onipresente".

Embora a obra nunca mencione Chávez, as irmãs se referem em suas discussões "ao inominável", numa clara alusão ao presidente venezuelano.

"O abuso infantil provoca a fragmentação da criança e o abuso social produz uma fragmentação do coletivo. O caudilhismo está moribundo na América Latina e é hora de que paremos para refletir onde estamos", explicou De Lara.

A dramaturga, que divide o palco com a atriz venezuelana Caridad Canelón, gostaria de levar sua obra para outros países da região que vivem "situações semelhantes".

Finalmente, ao tentar explicar o título de sua obra, de Lara confessou que a ela parece "maravilhoso pensar que, assim como as andorinhas sempre voltam ao seu lugar de origem, a Venezuela também poderá voltar ao que foi uma vez".

lda/bl/mvv

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