O segundo aniversário do fim da concessão à rede de televisão RCTV, nesta quarta-feira, reavivou na Venezuela o debate sobre a liberdade de expressão, no momento em que o presidente Hugo Chávez ameaça outra TV crítica ao governo.

A RCTV, que hoje transmite de Miami por canal fechado, dedicou sua programação desta quarta-feira a lembrar o fim da concessão, suspensa por Chávez e que encerrou 53 anos da TV no ar.

Partidos políticos de oposição preveem uma manifestação para a noite de hoje para exigir uma nova concessão à RCTV e o fim da perseguição contra a Globovision, canal que Chávez chama de "terrorista".

A RCTV também fará um programa nas ruas esta noite, com suas estrelas de novelas e programas humorísticos.

"Há dois anos, quando ocorreu o fechamento arbitrário da RCTV, alertamos que este era o caminho do totalitarismo. O tema da liberdade de expressão está hoje mais vigente do que nunca e as ameaças estão se concretizando", destacou Marcel Granier, diretor-geral da emissora.

"O governo venezuelano quer regular todo o pensamento é sua expressão. Está muito preocupado com sua imagem e ameaça a Globovision. Quer controlar toda possibilidade de crítica".

Sobre a situação da RCTV dois anos após a perda da concessão, Granier destacou que o serviço por canal fechado não é rentável, "mas estamos aprendendo".

O número de funcionários da RCTV, que passava de 3 mil pessoas em 2007, caiu para a metade após o fim da concessão.

O canal da RCTV foi transferido há dois anos para a TV estatal Tves, subordinada ao ministério de Informação e Comunicação.

Chávez controla hoje os canais estatais VTV, Vive TV, Tves, ANTV, Avila TV e Telesur.

Ainda sobrevivem na Venezuela os canais privados Venevisión, do magnata Gustavo Cisneros, Televen, Globovision, Meridiano TV, Vale TV, Tele e Canal I.

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