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Veneza exibe Teza , um filme contra a ignorância

VENEZA, por Antonio Lafuente ¿ O filme Teza, do etíope Haile Gerima, exibido hoje no Festival de Veneza, é uma obra que trata da recente e violenta história de seu país, mas também aborda a questão da ignorância.

Redação com EFE |

Diretor Haile Gerima na estréia de
"Teza" em Veneza / Getty Images

Gerima, professor emérito da Universidade Howard de Washington, conta a história de Anberber, um intelectual africano exilado na Alemanha que retorna ao seu país de origem durante o regime marxista de Haile Mengistu.

Anberber, interpretado por Aron Arefe, volta para casa com sua mãe em um pequeno povoado etíope após um acidente do qual não se lembra, mas que lhe custou a amputação de uma perna.

A recuperação da memória o guia através de sua história e a da Etiópia, e serve para que Gerima mostre a impotência dos intelectuais diante do desaparecimento dos valores humanos e sociais nos regimes totalitários.

"'Teza' me deu a oportunidade de contar a história dos intelectuais africanos que se encontram deslocados por uma série de complicadas circunstâncias históricas", afirmou Gerima.

Para o diretor, o exílio na Alemanha coloca no mesmo patamar Prometeu e Anberber, "que foi para buscar o fogo da modernização na Europa. No entanto, o fogo que adquiriu não pôde ajudar a curar seu povo, um povo carente de inumeráveis necessidades". Entre elas a educação, a necessidade de superar a ignorância, mal que permite o crescimento dos totalitarismos e do racismo.

Tal ignorância que não se dá somente entre os analfabetos e entre os pobres africanos, mas também nos países ricos onde floresce o racismo, como na Alemanha, onde existem grupos neonazistas, como é mostrado no filme.

Soldados e cães

Os diretores Aleksei German Jr., de "Bumaznyj soldat" ("Soldado de Papel"), e Werner Schroeter, de "Noite de Cão", também exibiram suas produções hoje no Festival de Veneza.

O russo German conta a vida do médico Daniel Pokrovsky, responsável por designar os astronautas que vão viajar no primeiro vôo tripulado ao espaço, uma decisão que se torna insuportável porque está convencido de que eles não retornarão. Mas a história se complica porque Pokrovsky, interpretado por Merab Ninidze, é um homem casado e começa uma aventura com outra mulher.

"Através do meu trabalho cinematográfico estou em busca das forças vitais do amor, da vida e da morte, forças que tento explicar usando o fantasmagórico e as formas utópicas", disse German.

Entretanto, ele abusa da forma, o que muitas vezes vai contra a história, que se dissolve em em imagens sem contar muito concretamente. Com isso, talvez sem querer, o diretor retratou melhor o que foi a União Soviética do que essas "forças vitais". "É necessário seguir adiante, sem dúvidas, sem pensar", diz uma das protagonistas.

Algo parecido acontece a Schroeter, que também privilegia a forma em um filme no qual um homem na quarentena procura uma mulher em uma guerra civil de ambiente futurista.

Schroeter disse que o filme, baseado no romance "Para esta noite", de Juan Carlos Onetti, pretende mostrar como "em situações limite, as pessoas perdem os princípios" e como "a única saída a uma situação sem saída é a utopia".

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