Vendas de bafômetros despencam

Para fabricante, motoristas ¿relaxaram¿ quando notaram que "não havia blitzes" nem equipamentos suficientes para punir infrações

Matheus Pichonelli, iG São Paulo |

Futura Press
Polícia Militar durante teste de bafômetro no estádio Arena da Baixada em Curitiba
Desde que a Lei Seca foi instituída, há dois anos, o número de funcionários quase dobrou na única empresa brasileira autorizada a fabricar bafômetros para uso da polícia no País. A capacidade de produção também foi ampliada: de 400 aparelhos fabricados por ano, saltou para 1.500. O custo médio de um etilômetro é de R$ 7 mil.

No Brasil, só os aparelhos da Elec e de outras três fabricantes estrangeiras (que importam os equipamentos) são homologados pelo Denatran (Departamento Nacional de Trânsito). A empresa, localizada em uma rua discreta do centro de Tremembé, no interior de São Paulo, começou a produzir os aparelhos em 1994, quando não havia normas específicas nem campanha contra álcool e direção. A atuação, se não for feita com aparelhos homologados, não tem validade jurídica.

No começo da nova lei, que passou a punir quem fosse flagrado com 0,1 mg/l de álcool no ar expelido (hoje, são 0,2 mg/l), as vendas dispararam, segundo Elias de Freitas Lobo Júnior, diretor da Elec. Já em 2009, porém, a fábrica, que hoje emprega 20 pessoas, teve resultados apenas “razoáveis” e, neste ano, atravessa uma “situação horrível”.

Em 2008, Lobo Júnior previa que o Brasil precisaria de 30 mil novos bafômetros para equipar as polícias de todo o Brasil, que deveriam fazer blitzes em cada canto do País e encaminhar possíveis infratores para as delegacias. Afinal, a soma direção e volante havia se tornado um crime desde 2008 e, para medir o tamanho da infração, os policiais não poderiam dispensar os aparelhos. As vendas, porém, passaram longe dessa meta. Segundo o empresário, o Ministério da Justiça comprou apenas 5 mil aparelhos, de 10 mil inicialmente previstos. As compras por parte dos Estados também estagnaram desde aquela época.

Em dois anos, foram vendidos 1.000 bafômetros, segundo o diretor da empresa. As compras governamentais representam cerca de 75% das vendas dos aparelhos no País. Entre os clientes estão também seguradoras, transportadoras e usinas (que exigem teste em seus funcionários para evitar que eles bebam em serviço) e ainda a Marinha, que tem legislação específica sobre o tema.

Para Lobo Júnior, “a lei pegou bem, mas a fiscalização relaxou". O resultado, diz, foi que, ao ver que não havia blitzes acontecendo em todos os cantos, como achou que aconteceria a partir da lei, o motorista, que, de imediato respeitava as normas, também relaxou.

O diretor afirma, no entanto, que vê uma evolução na forma como o assunto passou a ser tratado. Ele diz que, apesar das brechas que os infratores tentavam encontrar na lei, como quando se recusavam a fazer o teste para não produzir provas contra si, direito que a legislação lhe garante, os juízes passaram a levar em conta a presunção de culpa e não deixaram de aplicar penas. Nesses casos, o relato do policial sobre a situação do motorista após a abordagem passou a ser também levado em conta.

    Leia tudo sobre: Lei Seca

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG