Zélia Gattai nasceu em 2 de julho de 1916, filha dos imigrantes italianos Ernesto Gattai (um militante anarquista) e Angelina da Col. Ela cresceu no bairro do Paraíso, na capital paulista, período que retratou em seu livro de estréia, Anarquistas Graças a Deus.

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Apesar de ter lançado seu primeiro livro somente no final dos anos 70, ela já mantinha contato com o meio literário desde a década de 30. Foi justamente num Encontro Brasileiro de Escritores, em 1945, que ela conheceu Jorge Amado, seu marido por mais de 50 anos.

Os dois se casaram poucos meses após se conhecerem e permaneceram juntos até a morte do escritor, em 2001. Foi o segundo casamento de Zélia - o primeiro, com o militante comunista Aldo Veiga, gerou um filho, Luís Carlos Veiga.

Com Jorge Amado, ela teve outros dois filhos, João Jorge, nascido em 1947, e Paloma, nascida em 1951. A última nasceu quando o casal estava exilado na Europa, devido a sua militância no Partido Comunista. Entre 1947 e 1952, eles viveram em Paris e em Praga.

Na volta ao Brasil, os dois se radicaram no Rio de Janeiro e, em 1963, mudaram-se para Salvador. Esse período da volta do exílio foi retratado no segundo livro de Zélia, "Um Chapéu para Viagem", publicado em 1982.

Seu primeiro trabalho, "Anarquistas Graças a Deus", foi lançado quando a escritora já tinha 63 anos. Foi um imediato sucesso de público e lhe valeu diversos prêmios. Cinco anos depois, virou uma série de TV dirigida por Walter Avancini.

A maior parte de sua obra é composta de memórias. Seu último livro, "Um Baiano Sensual e Romântico", é um retrato de Jorge Amado escrito em parceria com os filhos João Jorge e Paloma. A obra foi lançada em 2002.

Após a morte de Jorge Amado, em 2001, Zélia Gattai candidatou-se à vaga do marido na Academia Brasileira de Letras. Ela foi eleita no ano seguinte e passou a ocupar a cadeira 23, cujo patrono é José de Alencar.

Começa sua produção literária escrevendo seu primeiro livro de memórias, Anarquistas Graças a Deus, lançado em 1979, no Rio de Janeiro. Nesta obra narra a vida de seus pais, a realidade dos imigrantes italianos no Brasil e sua infância em São Paulo. Um Chapéu para Viagem é seu segundo livro, editado em 1982. A obra narra o começo de sua vida com Jorge Amado e as histórias dos Amado, contadas por Lalu, mãe do escritor.

No ano seguinte é lançado, em Salvador, o livro Pássaros Noturnos do Abaeté, com gravuras de Calasans Neto e texto de Zélia Gattai. Em 1987, publica Reportagem Incompleta (fotobiografia), com fotografias de sua autoria. Torna-se membro do Conselho Curador da Fundação Banco do Brasil. Edita Jardim de Inverno, em 1988. O livro é lançado na Fundação Casa de Jorge Amado. A obra narra os momentos políticos difíceis, vividos entre 1949 e 1952. É homenageada com uma exposição sobre o tema Jardim de Inverno, pela Fundação Casa de Jorge Amado.

No mundo da ficção, estréia com o livro infantil Pipistrelo das Mil Cores, em 1989, com ilustrações de Pink Wainer. Dois anos depois publica O segredo da Rua 18, também dirigido às crianças, ilustrado por Ricardo Leite.

Volta às memórias com Chão de Meninos, lançado em 1992. A obra, que retrata o retorno do exílio, no período de 1952 a 1963, é dedicada ao marido, em comemoração aos seus oitenta anos. O próximo livro é um romance, Crônica de uma Namorada, de 1995. Relata a época do surgimento da televisão e a descoberta do amor por uma adolescente. No mesmo ano sua filha, Paloma Jorge Amado, publica, em homenagem aos pais, o ABC dos 50 Anos de Amor de Zélia e Jorge.

Edita, em 1999, A Casa do Rio Vermelho. No ano de 2000, lança na Bienal do Livro, em São Paulo, Città di Roma, ilustrado com fotografias de época. A obra narra a saga de seus familiares e seus primeiros anos em São Paulo. Publica, também, no mesmo ano, o livro infantil Jonas e a sereia, com ilustrações de Roger Mello.

Em 2001 fica viúva de Jorge Amado. Publica Códigos de Família, livro de memórias. Seu livro mais recente é Jorge Amado: um Baiano Sensual e Romântico, lançado em 2002.

Sua obra literária gerou a adaptação de Anarquistas Graças a Deus para minissérie da Rede Globo; a peça de teatro adaptada de seu segundo livro Um Chapéu para Viagem; a edição comemorativa com fotografias da autora e seus familiares pelos 20 anos de Anarquistas Graças a Deus.

Prêmios e homenagens

Prêmio Dante Alighieri (1980)
Prêmio Revelação Literária, concedido pela Associação de Imprensa (1980)
Diploma de Sócia Benemérita da Ordem Brasileira dos Poetas da Literatura de Cordel
Placa As dez mulheres mais bem sucedidas do Brasil pela Mac Keen (1980)
Título de Sócia Benemérita do Clube Baiano da Trova (1981)
Título de Cidadã Honorária da Cidade de Salvador, Bahia (1984)
Título de Cidadã Honorária da Cidade de Mirabeau (1985)
Título no grau de Grande Oficial da Ordem do Infante Dom Henrique, concedido pelo governo português (1986)
Diploma de Madrinha dos Trovadores, concedido pela Ordem Brasileira dos Poetas da Literatura de Cordel
Medalha do Mérito Castro Alves, da Secretaria da Educação e Cultura do Estado da Bahia (1987)
Diploma de Reconhecimento do Povo Carioca pelos relevantes serviços prestados à Cultura e ao Turismo, da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro;
Prêmio Destaque do Ano (1988)
Eleita A Mulher do Ano pelo Conselho Nacional da Mulher (1989)
Diploma de Magnífica Amiga dos Trovadores Capixabas, Espírito Santo (1991)
Comenda das Artes e das Letras dada pela ministra da França, Caterine Trautmann (1998)
Comenda Maria Quitéria pela Câmara Municipal de Salvador (1999)
Criação da Fundação de Cultura e Turismo Zélia Gattai, pela Prefeitura de Taperoá (2001).

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